País deve ser o segundo mais taxado pelo governo de Donald Trump, atrás apenas da China, estima monitor de acordo comerciais. Tarifa média fica em 18,22% a partir da semana que vem 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 País deve ser o segundo mais taxado pelos EUA — Foto: Jonne Roriz/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 22:45 EUA Impõem Nova Tarifa de 25% sobre Produtos Brasileiros, Aumentando Tensão Comercial Os Estados Unidos implementaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, elevando a tarifa média para 18,22%, tornando o Brasil o segundo país mais taxado, atrás apenas da China. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, entra em vigor em 22 de julho e se soma a uma tarifa global de 10% que expira dia 26. A tarifa efetiva média pode cair para 14,4%, colocando o Brasil na oitava posição no ranking de países tarifados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os Estados Unidos publicaram na noite de quarta-feira a decisão de aplicar um novo tarifaço de 25% sobre determinados produtos brasileiros importados pelos americanos, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida entrará em vigor no dia 22 deste mês, mas não é a primeira lançada contra o Brasil e outros países desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, no ano passado. Entre janeiro e março de 2025, os Estados Unidos anunciaram sobretaxas de 25% sobre as importações de aço e alumínio e sobre bens vindos de México e Canadá, com alíquota de 25%, e China, dobrando a cobrança para 20%. Em abril do mesmo ano, Trump anunciou tarifas recíprocas a partir de 10% para todos os países usando como justificativa a Lei de Poderes Econômicos de Emergências Internacionais (IEEPA), de 1977, e, nos meses seguintes, distribuiu sobretaxas sobre medidas a diferentes nações. Ao Brasil, aplicou 40% adicionais, mas, no início deste ano, esse tipo de tarifa foi derrubado pela Suprema Corte dos EUA. A Suprema Corte americana julgou inconstitucional boa parte do tarifaço de Trump, alegando que Trump excedeu sua autoridade ao basear a decisão de sobretaxar os parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA. As tarifas elevadas sob essa justificativa legal ficaram suspensas. Era o caso das tarifas recíprocas de abril de 2025, de 10%, e da sobretaxa de 40% contra o Brasil, de julho. Como resposta, Trump anunciou que assinaria decreto impondo nova tarifa global de 10% sobre todos os países, como forma de substituir as tarifas recíprocas suspensas pela decisão judicial. Mas afinal, quanto as empresas brasileiras sobretaxadas agora vão pagar? Entenda a conta atual As idas e vindas da política tarifária americana transformaram a rotina das empresas, que fazem contas para descobrir a tarifa certa a pagar em cada dia. Atualmente, está em vigor uma tarifa global de 10%, aplicada com base na Seção 122 da Lei de Comércio dos EUA. O prazo de vigência dessa taxa termina mais perto do fim do mês, no dia 26, segundo especialistas. Com a decisão do governo dos EUA, a partir do dia 22 começará a ser cobrada uma tarifa adicional de 25% para produtos brasileiros, embora existam 2.100 exceções listadas. A taxa foi definida após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre práticas comerciais brasileiras consideradas desleais pelos EUA e tem como referência a Seção 301, da Lei de Comércio. Mas existem mais ameaças adiante. O Brasil é alvo de investigação do USTR sobre supostas falhas no combate à importação de produtos vinculados ao trabalho forçado. Se a proposta for aprovada, o Brasil seria taxado em mais 12,5%. Ou seja, potencialmente seria possível chegar a 37,5% considerando as duas sobretaxas. A conta, porém, não é tão direta, pois é preciso levar em conta o volume de exceções. Segundo país mais taxado Antes do anúncio da última quarta-feira, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros era de 11,7%, estimou a iniciativa suíça, segundo a Global Trade Alert, que monitora acordos comerciais no mundo e as sobretaxas americanas. Agora, já considerando a aplicação da Seção 301, de 25% com algumas exceções a partir do próximo dia 22, a tarifa média estimada ao país sobe para 18,22%. Isso porque ainda há em vigor uma sobretaxa de 10% imposta pela Seção 122, que expira no próximo dia 25. A tarifa média soma a cobrança das tarifas sobre todos os produtos exportados aos EUA, incluindo os itens que estão isentos. No caso do Brasil, entram nessa lista o café, carnes, suco de laranja e peças aeroespaciais. Por isso, a tarifa média é menor do que os 25% definidos pelo governo americano. Com o aumento das tarifas anunciado na última quarta-feira pelo governo americano, as taxas efetivas cobradas aos produtos do Brasil só serão superadas pela China no ranking de países tarifados, segundo a Global Trade Alert. Mas a tarifa efetiva média de 18,22% será cobrada por pouco tempo. Como ela expira quatro dias depois do início da sobretaxa de 25%, no dia 25 de julho, a tarifa efetiva média sobre as exportações brasileiras aos EUA deve cair a 14,4% a partir do dia 26, estima o monitor. Se a tarifa efetiva cair para o nível de 14,4% após o dia 26, como estima o monitor, o Brasil figuraria na oitava posição do ranking, atrás de Turquia, Indonésia, Vietnã e Tailândia. Antes do anúncio do tarifaço de 25%, ocorrido na quarta-feira, o Brasil ocupava o 13º lugar do ranking, atrás da Itália, Alemanha, Coreia do Sul e Japão, com a China ainda líder.