Senador simula indignação com medida de Trump, mas pesquisa mostra que só 30% acreditam em sua versão sobre ataque americano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca — Foto: Reprodução / @flaviobolsonaro RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 21:44 Flávio Bolsonaro tenta se isentar de tarifas dos EUA que incentivou Flávio Bolsonaro tenta se distanciar de tarifas impostas pelos EUA após incentivá-las. Apesar de criticar Trump, apenas 30% dos eleitores acreditam em sua versão dos fatos. O senador prometeu concessões ao governo americano, mas agora enfrenta desgaste político. A estratégia de culpar Lula não convence a maioria, enquanto o impacto econômico das tarifas já é sentido no Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois de um mês de ameaças, o governo americano baixou um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. O secretário Marco Rubio não disfarçou o teor político da medida. Num tuíte pouco diplomático, atacou o presidente Lula e disse que ele teria colocado “o próprio ego” à frente das negociações. É curioso um subordinado de Donald Trump criticar o ego alheio, mas o pior ficou para as justificativas. A Casa Branca voltou a reclamar do Pix, de decisões judiciais que contrariaram big techs e até do desmatamento da Amazônia, que caiu pela metade nos últimos três anos. O trumpismo tem um projeto. Quer restaurar o poder de mando sobre a América do Sul, numa versão reciclada da Doutrina Monroe. Nos últimos anos, sete países da região elegeram presidentes de direita ou extrema direita alinhados ao republicano. O Brasil é o próximo terreno dessa batalha. Desde o tarifaço de 2025, o Itamaraty se empenhava em aparar arestas e distensionar as relações com os Estados Unidos. O esforço culminou na visita de Lula a Trump, no início de maio. Passados dois meses, a alardeada química entre os dois presidentes evaporou. Quem quiser entender a mudança deve observar os movimentos recentes de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL fez promessas em série ao governo americano. Em público, acenou com acesso privilegiado a terras-raras, tarifa zero sobre o etanol e até uma “equipe de transição” para anotar pedidos da Casa Branca. Talvez seja preciso esperar pela divulgação de documentos reservados, daqui a algumas décadas, para saber o que ele barganhou em privado. O estrago para a economia brasileira já está contratado. A questão é saber quem o eleitor vai responsabilizar pelos prejuízos. Na primeira rodada de sobretaxas, Lula empunhou a bandeira da soberania e se recuperou nas pesquisas. O movimento pode se repetir com o novo tarifaço, abrindo mais uma frente de desgaste para Flávio. Ontem o senador ensaiou uma cambalhota discursiva para tentar se descolar do amigo americano. Em vídeo divulgado nas redes, fingiu espancar a tela e bradou que a culpa era de Lula, e não dele. A julgar pelos números da Quaest, apenas 30% dos eleitores parecem dispostos a acreditar nesse teatro.