PUBLICIDADE Caso registrado em São Gonçalo mobiliza pesquisadores e evidencia os impactos da pesca de arrasto sobre espécie que vive em águas profundas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cavalos marinhos encontrados mortos em São Gonçalo — Foto: Reprodução/Movimento Baía Viva RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 19:04 Centenas de Cavalos-Marinhos Mortos Encontrados na Baía de Guanabara: Impactos da Pesca de Arrasto Uma caixa com centenas de cavalos-marinhos mortos foi encontrada na Baía de Guanabara, em São Gonçalo, destacando os impactos da pesca de arrasto sobre espécies de águas profundas. A coordenadora do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Freret, identificou a espécie como Hippocampus patagonicus. A prática de pesca de arrasto é uma das principais ameaças, capturando acidentalmente milhões de cavalos-marinhos anualmente. A orientação a pescadores é crucial para mitigar esse impacto. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma caixa com centenas de cavalos-marinhos mortos teria sido encontrada boiando na Baía de Guanabara, nas proximidades do bairro Gradim, em São Gonçalo. O caso chegou ao conhecimento da coordenadora-geral do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Freret, por meio de um vídeo e de relatos enviados por pescadores da região. Segundo ela, os animais acabaram caindo novamente na água depois que a caixa foi retirada do mar, e as circunstâncias que levaram ao descarte ainda são desconhecidas. Pelas informações recebidas pela pesquisadora, a caixa foi encontrada boiando no início da semana e recolhida por pescadores que pretendiam reaproveitá-la. Ao virá-la, porém, eles se depararam com dezenas de cavalos-marinhos mortos, que acabaram sendo levados pela correnteza. A Baía de Guanabara é reconhecida como Área de Preservação Permanente (APP) pela Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Também é classificada como Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) e, desde 2012, integra a área reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial na categoria Paisagem Cultural. Embora não tenha recebido os animais para análise, Natalie afirma que foi possível identificar a espécie por meio das imagens encaminhadas pelos pescadores. — Pelo vídeo que recebi, a espécie é a Hippocampus patagonicus. É o cavalo-marinho-da-patagônia, um animal que vive em profundidades maiores. Normalmente ele é capturado por embarcações de pesca de arrasto em alto-mar. Às vezes fica a 30, 40, 60 ou até 70 metros de profundidade. Não é um animal que costuma ocorrer dentro da Baía de Guanabara — explica a coordenadora-geral do Projeto Cavalos-Marinhos. Suspeita de pesca de arrasto Segundo a pesquisadora, a quantidade de animais observada nas imagens foge do padrão normalmente registrado pelos pesquisadores e pode indicar que uma embarcação encontrou uma concentração da espécie ou permaneceu vários dias em atividade antes de recolher as redes. — Normalmente aparecem cinco, seis ou até dez animais. Essa quantidade é enorme. Eles podem ter encontrado uma mancha da espécie ou ficado muitos dias pescando, acumulando esses animais. Como, muitas vezes, os cavalos-marinhos já chegam mortos à rede, não há muito o que fazer — afirma. Natalie explica que a captura acidental de cavalos-marinhos é uma consequência conhecida da pesca de arrasto em diversas partes do mundo e uma das principais ameaças à espécie. Segundo ela, quando os animais sobrevivem, a legislação determina que sejam devolvidos imediatamente ao mar. Já os exemplares mortos podem ser destinados à pesquisa científica. — Nós desenvolvemos parcerias com pescadores industriais justamente para orientar como agir. Se o animal foi capturado vivo, a orientação é devolvê-lo ao mar. Se já estiver morto, pedimos que seja trazido para pesquisa, acondicionado em gelo. Assim conseguimos produzir conhecimento sobre a espécie e, ao mesmo tempo, cumprir o que determina a legislação — diz. Orientação aos pescadores A coordenadora afirma que o projeto vem intensificando esse trabalho de orientação desde o fim do ano passado, diante da dificuldade que muitos pescadores ainda têm para lidar com situações desse tipo. — Muitas vezes eles não sabem o que fazer. Alguns acabam colocando os animais em uma caixa e, depois, quando percebem que não poderiam transportá-los, ficam com receio e descartam tudo no mar. Por isso estamos conversando com pescadores industriais, mostrando quais são os procedimentos corretos para que eles não sejam punidos e também possam colaborar com a ciência — explica. Segundo Natalie, há uma estimativa de que cerca de 37 milhões de cavalos-marinhos, de diferentes espécies, sejam capturados acidentalmente todos os anos, principalmente pela pesca de arrasto: — É uma das pescarias que mais matam cavalos-marinhos no mundo. O nosso trabalho é justamente reduzir esse impacto por meio da orientação aos pescadores e do fortalecimento das pesquisas sobre essas espécies.