Acelerado desde as eleições de 2018, o processo histórico que levou o Rio de Janeiro a deixar de ser uma referência progressista na política nacional para se transformar em terreno fértil à infiltração de milícias e facções criminosas nas instituições públicas envolve aspectos econômicos e sociais. Um deles é a crescente influência de traficantes e milicianos sobre o voto dos eleitores em territórios sob seu controle, hoje um dos maiores obstáculos para evitar o sequestro dos Legislativos e Executivos estaduais pelo crime organizado. Diante da dificuldade da tarefa, o governo fluminense pediu à Justiça Eleitoral o envio de forças federais de segurança para garantir, em outubro, o pleno exercício democrático em áreas atualmente submetidas ao domínio de grupos paramilitares ou do narcotráfico, como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP).

O pedido de auxílio, assinado pelo governador em exercício Ricardo Couto, foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral após Cláudio de Mello Tavares, presidente do Tribunal Regional, questionar a administração estadual sobre a capacidade de garantir a segurança dos eleitores e dos locais de votação, além do transporte e da guarda das urnas eletrônicas. Após consultar a Polícia Militar e afirmar, em um primeiro momento, que o estado não precisava de ajuda, Couto recuou na semana passada: “O emprego do reforço federal, em cooperação com os órgãos estaduais, é extremamente importante para a preservação da ordem pública em áreas que demandem atenção operacional específica”, escreveu Couto.