Em bairros populares do Rio de Janeiro, o desvio clandestino de energia é tão comum quanto o emaranhado de fios nos postes que polui a paisagem. O “gato de luz” atravessa décadas da história urbana e ressurge pouco depois de cada corte realizado pela concessionária. A Light chegou a contabilizar essas perdas como inevitáveis, até que uma startup carioca apostou que o combate a esse problema passava por uma nova ferramenta: uma Inteligência Artificial treinada para identificar padrões que escapam ao olhar humano.
Criada em 2018, a Fu2re desenvolveu o EnergyWatch, uma plataforma de IA que cruza dados de consumo, histórico de clientes e imagens coletadas em campo para identificar, entre milhões de unidades consumidoras, aquelas com maior probabilidade de fraude. A proposta é substituir o modelo tradicional de inspeção, baseado em denúncias e rondas por bairros, por uma abordagem preditiva, capaz de ranquear consumidores suspeitos antes de qualquer equipe ir às ruas.
O problema que a startup busca enfrentar tem escala nacional. Segundo a Aneel, as perdas não técnicas do setor elétrico – categoria que engloba furtos de energia, ligações clandestinas e fraudes em medidores – somaram 45 terawatts-hora em 2025, o equivalente a 7,1% de toda a energia injetada no sistema de distribuição do País.










