Ampliação busca facilitar o acesso ao crédito por trabalhadores da categoria, em meio à resistência dos bancos a esse público em razão do risco Também poderão ser financiados veículos elétricos ou híbridos flex seminovos produzidos a partir de 2024 — Foto: Paul Hanaoka/Unsplash O governo federal decidiu ampliar a linha de financiamento de até R$ 30 bilhões para a aquisição de automóveis por motoristas de aplicativo e taxistas, passando a permitir o financiamento de veículos seminovos, e não apenas de novos, como previsto anteriormente. A mudança foi incluída na medida provisória (MP) editada na quarta-feira (15) que trata da renegociação de dívidas rurais. A MP também estabelece as condições dos empréstimos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no âmbito da linha de financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas lançada este ano. Segundo apurou o Valor, a ampliação na linha dos carros busca facilitar o acesso ao crédito por trabalhadores que enfrentam maior dificuldade para obter financiamento, em meio à resistência dos bancos em emprestar para esse público, considerado de maior risco. A MP que criou a linha de crédito estabelecia que poderiam ser financiados apenas veículos automotores novos, “que atendam a critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica”. Com a alteração no texto, também poderão ser financiados, a partir de agora, veículos elétricos ou híbridos flex seminovos produzidos a partir de 2024. Como mostrou o Valor, antes de a linha entrar em operação no dia 19 de junho, o setor privado vinha demonstrando resistência em participar do programa devido ao maior risco associado ao público-alvo e ao potencial considerado limitado de rentabilização desse segmento. Para reduzir esse risco, a medida provisória que criou o programa Move Motoristas previu o uso do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que passou a operar na linha em 2 de julho, e inclui os automóveis entre os bens que podem ser garantidos pelo Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac), voltado a empréstimos para pequenas e médias empresas. Nos bastidores, representantes do setor privado chegaram a defender um aporte adicional ao FGI para ampliar a cobertura das garantias e incentivar a participação dos bancos. A avaliação era que o compartilhamento do risco pelo fundo seria essencial para atrair as instituições financeiras, já que o próprio veículo serve de garantia ao empréstimo, mas terá uso intensivo, aumentando o risco da operação. Além disso, os tomadores do crédito são, em grande parte, recém-bancarizados e muitos ainda precisarão passar pelo Desenrola antes de contratar o financiamento. Na avaliação de desses interlocutores, sem um reforço no fundo, as garantias destinadas aos financiamentos de veículos disputariam espaço com as operações do PEAC, o que poderia limitar a escala da nova linha. No governo, porém, não havia consenso até então sobre a necessidade de reforçar o fundo, que recebeu aporte de R$ 2 bilhões em recursos no fim de abril para atender às pequenas e médias empresas. A expectativa é que a ampliação da linha para veículos seminovos tende a facilitar a concessão do crédito, segundo interlocutores do Executivo. Já em relação à linha de financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, a MP das dívidas rurais inclui um dispositivo que estabelece que os empréstimos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) à Finep serão remunerados pela Taxa Referencial (TR) e terão prazo de amortização de 15 anos, em parcelas anuais.
Governo amplia financiamento a motoristas de aplicativo para incluir carros seminovos
Ampliação busca facilitar o acesso ao crédito por trabalhadores da categoria, em meio à resistência dos bancos a esse público em razão do risco








