Órgão avisa que documento é preliminar e investigação segue para identificar as causas da colisão; acidente matou o cantor Oliver Tree, o influenciador Gaspi e outras quatro pessoas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bombeiros atuam no local da queda de um dos helicópteros envolvidos na colisão em pleno voo no Recreio; investigação do Cenipa apurará as causas do acidente. — Foto: Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 10:16 Cenipa Divulga Relatório Preliminar Sobre Colisão Fatal de Helicópteros no Rio O Cenipa divulgou um relatório preliminar sobre a colisão de helicópteros no Rio que matou seis pessoas, incluindo o cantor Oliver Tree e o influenciador Gaspi. Ambos os helicópteros estavam na mesma rota, sem gravação de comunicações, e um não era monitorado por radar. A investigação continua para determinar as causas da colisão, analisando aspectos humanos, operacionais e de controle aéreo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou, em relatório preliminar divulgado nesta quarta-feira, que os dois helicópteros que colidiram em 14 de junho, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, utilizavam a mesma rota no momento que aconteceu a batida no ar que matou seis pessoas. A investigação também mostra que um dos helicópteros não era controlado pelo radar e que os pilotos se comunicavam pela frequência usada para a autocoordenação entre aeronaves, que não é monitorada pelos órgãos de controle e cujas comunicações não são gravadas. O choque seguido pela queda das aeronaves matou os seis ocupantes. Entre as vítimas, estavam o cantor americano Oliver Tree, que estava no Brasil durante uma pausa na turnê internacional, e o influenciador argentino Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi. Também morreram os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac, o cineasta argentino Lucas Vignale e o DJ e produtor musical brasileiro Lucas Frota. Da esquerda para a direita: Oliver Tree, Lucas Frota, Gaspar Prim e Lucas Vignale — Foto: Reprodução O Bell 206B Jet Ranger, prefixo PP-MAC, havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá com destino ao Heliponto Piratas Mall, em Angra dos Reis. Além do piloto Alexandre Souza, estavam a bordo Oliver Tree, Lucas Vignale, Gaspar Prim Díaz e Lucas Frota. A outra aeronave, um Eurocopter AS350 B2 (atualmente Airbus H125), de matrícula PR-DJJ, decolou do Aeroporto Santos Dumont com destino ao Helicentro Guaratiba. Após deixar um passageiro no terminal, seguia apenas com o piloto Charles Marsillac. Segundo o relatório, "os planos de voo de ambas as aeronaves previam as Rotas Especiais de Helicópteros (REH) Praia e Grota e níveis de voo coincidentes". O documento acrescenta que "a rota proposta no plano de voo da aeronave PR-DJJ e a rota autorizada para o PP-MAC eram coincidentes a partir da posição Tachas". A colisão ocorreu às 11h57 (UTC), entre as posições Tachas e Piabas, na REH Grota. Ao reconstruir a sequência de acontecimentos naquele domingo, o Cenipa informa que os dois helicópteros passaram a utilizar a Frequência de Coordenação Aérea (FCA) Centro, de 130,550 MHz, destinada à autocoordenação entre pilotos em espaço aéreo Classe G. O reporte destaca que "a FCA Centro não era monitorada pelos órgãos de controle, tampouco havia gravação das comunicações entre as aeronaves em autocoordenação". Colisão entre helicópteros no RJ deixa seis mortos; veja fotos 1 de 16 Helicóptero caiu em cima de carros — Foto: Reprodução Globonews 2 de 16 Seis morrem em queda de dois helicópteros no Recreio; aeronaves colidiram no ar — Foto: Reprodução/TV Globo X de 16 Publicidade 16 fotos 3 de 16 Bombeiros mexem em destroços após queda de 2 helicópteros no Recreio — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros 4 de 16 Bombeiros retiram corpos após queda de 2 helicópteros no Recreio; aeronaves colidiram no ar O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 para a ocorrência, no quarteirão da Avenida das Américas com as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros X de 16 Publicidade 5 de 16 Estacionamento de concessionária no RJ sofre incêndio após queda de helicópteros — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo 6 de 16 Parentes de Lucas Vignale, uma das seis vítimas do acidente aéreo, vão ao IML para liberar corpo — Foto: Joziane Barbosa / O Globo X de 16 Publicidade 7 de 16 Familiares choram após helicópteros colidirem; seis pessoas morreram — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 8 de 16 Destroços de helicóptero caíram próximo ao acidente, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 16 Publicidade 9 de 16 Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 para a ocorrência — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 10 de 16 O cantor Oliver Tree, morto em acidente aéreo, faria 33 anos este mês — Foto: Reprodução X de 16 Publicidade 11 de 16 Vítima de acidente aéreo, Gaspi tinha 23 anos e mais de dois milhões de seguidores em seu canal no Youtube — Foto: Reprodução 12 de 16 Lucas Vignale, cineasta argentino morto no acidente de helicópteros no Recreio, postou vídeo no Cristo Redentor — Foto: Reprodução / Instagram X de 16 Publicidade 13 de 16 Pilotos dos helicópteros: À esquerda, o Charles. À direita, Alexandre. Os dois pilotos morreram em uma colisão na altura do Recreio — Foto: Reprodução 14 de 16 O DJ Lucas Frota, uma das seis vítimas do acidente aéreo— Foto: Reprodução X de 16 Publicidade 15 de 16 Helicóptero com seis tripulantes colide com outra aeronave e cai em pátio de carros — Foto: Tercio TEIXEIRA / AFP 16 de 16 Colisão entre dois helicópteros deixa seis mortos — Foto: Genilson Araújo / TV Globo X de 16 Publicidade Acidente ocorreu no bairro do Recreio Outro ponto considerado relevante pelos investigadores é que apenas um dos helicópteros foi acompanhado pelos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab). O documento afirma que "não houve detecção da aeronave PP-MAC pelos radares durante todo o período em que a aeronave esteve em voo". Já o PR-DJJ teve a trajetória registrada até instantes antes da colisão. A "última posição radar conhecida do PR-DJJ ocorreu às 11h57 (UTC), quando a aeronave mantinha cerca de 800 ft(pés) de altitude radar e 108 kt de velocidade". A investigação conseguiu recuperar o histórico do GPS portátil instalado no PR-DJJ. Segundo o Cenipa, "foi possível identificar parâmetros de posição, velocidade, altitude, direção e horários do PR-DJJ". O equipamento permitiu reconstruir a trajetória da aeronave até o momento do impacto. Em relação ao PP-MAC, porém, o órgão informa que "não foram recuperados dispositivos ou equipamentos capazes de armazenar dados de voo da aeronave". O relatório preliminar também esclarece que nenhum dos helicópteros possuía gravadores de voz da cabine (CVR) ou de dados de voo (FDR). De acordo com o documento, "não havia requisito para a instalação desses equipamentos em nenhuma das aeronaves". O PR-DJJ, entretanto, era equipado com outros sistemas eletrônicos, entre eles um gravador de imagens, um GPS portátil, e um sistema de alerta de tráfego, capaz de interrogar ativamente os transponders de aeronaves próximas, exibindo suas posições independentemente de radares em solo, fornecendo simbologia Traffic Collision Avoidance System (TCAS – sistema anticolisão de tráfego) padrão e emissão de voz automatizada com avisos visuais para prevenir colisões. O documento diz ainda que não foram encontrados dados registrados. "O aparelho encontrava-se em bom estado de conservação, mas a avaliação inicial não indicou registro de dados. Ainda estão sendo conduzidos exames complementares nosentido de verificar se o dispositivo possui algum dado armazenado em sua memória." As condições meteorológicas também foram analisadas. Segundo o Cenipa, "as condições meteorológicas para ambas as aeronaves eram favoráveis ao voo visual nas altitudes propostas, não havendo restrições de visibilidade horizontal ou vertical". Ao encerrar o relatório, o órgão ressalta que "nenhuma hipótese está descartada" e informa que continuam os exames e análises para identificar os fatores contribuintes do acidente, incluindo aspectos humanos, operacionais, de aeronavegabilidade e de controle do espaço aéreo. O relatório finaliza dizendo que, no estágio atual da investigação, nenhuma hipótese está descartada. E que exames e análises complementares ainda estão sendo conduzidos em todas as áreas de interesse. Procurado para comentar o motivo da não detecção de uma das aeronaves pelos radares, o engenheiro Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que isso só será explicado no fim da investigação. —O fato é que a aeronave não foi detectada. Mesmo que ela não tivesse nenhum equipamento , os radares deveriam ter a detectado. Eles( no relatório) não mencionam respostas sobre esta situação. Este mistério só poderá ser resolvido lá na frente com o final da investigação. Não é esperado que uma aeronave voe num espaço aéreo como esse sem ser percebida, nem pelos radares e (ou) sem usar equipamentos que permitam as demais aeronaves de a detectarem— disse Gerardo Portela.