A diarista Valdirene dos Santos, 56, mora em Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo, e comprou uma mochila diferente: ela vira banquinho. Essa é a única maneira de ela se sentar no sempre lotado trem da linha 7-rubi, usado todos os dias para trabalhar na capital paulista. Espremida no meio da multidão, vira e mexe precisa se apertar ainda mais para dar passagens a vendedores ambulantes.

"Piorou muito a nossa vida, isso aqui parece a 25 de Março", diz, em referência à rua de comércio popular no centro de São Paulo. "Cada dia que passa a situação é mais precária, é muita gente e não dá nem para se mexer", afirma a amiga Maria Ivonde de Sousa, 42.

Queixas como a das duas se tornaram comuns desde que a empresa TIC Trens assumiu a concessão da linha 7-rubi do trem metropolitano de São Paulo, no fim do ano passado, após leilão do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). São relatos, principalmente, de atrasos, composições que param pelo caminho e falta de segurança.

Pelo ramal, que liga a Barra Funda, na zona oeste paulistana, a Jundiaí (pouco mais de 50 km), passam em média cerca de 400 mil pessoas por dia.

À Folha, Pedro Moro, presidente da concessionária, lista investimentos já feitos, reformas de estações prometidas para começar ainda em 2026 —as primeiras intervenções serão em Pirituba— e futura troca de infraestrutura ferroviária, de dormentes e trilhos a sistemas de sinalização, responsáveis pela organização do tráfego dos trens. Tudo isso, porém, só deve ficar pronto em 2031.