O governo de Donald Trump concedeu a autoridades do Irã em Washington acesso extraordinário a requerentes de asilo iranianos detidos em centros de imigração nos meses que antecederam o início da guerra entre os dois países, fornecendo detalhes sigilosos sobre os motivos que os levaram a fugir do país, de acordo com documentos apresentados em uma ação judicial federal nesta quarta-feira (15).

Os depoimentos sob juramento, apresentados no Tribunal Distrital dos Estados Unidos, fornecem um relato detalhado dos contatos que levaram Washington a deportar mais de cem iranianos para Teerã de setembro de 2025 a janeiro, pouco antes do início da ação militar dos EUA contra o Irã, em fevereiro.

Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), reiterou uma declaração anterior negando as afirmações contidas no processo, sem abordar os novos detalhes apresentados nos documentos desta quarta. Um porta-voz do Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As declarações foram apresentadas pelo Fundo de Defesa Legal Iraniano-Americano, um grupo de direitos civis, para fundamentar as afirmações que o governo Trump teria compartilhado de forma ilegal informações confidenciais com o regime do Irã, expondo dezenas de iranianos à perseguição.