"Jogue com responsabilidade", "saiba quando parar", "jogue com moderação", "defina o tempo que você quer apostar", "aposta não é investimento", "aposta é para adultos", "apostar pode causar dependência". São alertas padronizados do mercado publicitário, cláusulas de advertência para que bets evitem responsabilidade. Fazem cócegas no vício.

Esse modelo de negócio busca desresponsabilizar empresas do ponto de vista jurídico e culpabilizar indivíduos do ponto de vista psíquico. O apelo maroto ao livre-arbítrio esconde a compulsão movida à dopamina.

Algoritmos maximizam tempo de tela e volume de apostas, oferecem bônus, disparam notificações virais e gatilhos de urgência, usam cores e sons vibrantes para alimentar vício num universo de videogame. Pedem que você seja viciado na derrota e no prejuízo, mas sem perder a esperança de que a próxima aposta seja a redentora.

O governo, diante dessa agressividade comercial e algorítmica, e de seus impactos na saúde e economia públicas, tomou iniciativas. Novas portarias sobre publicidade exigem, entre outras coisas, o aviso: "Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência", ou "Apostar faz você perder dinheiro" ou "Aposta não é investimento".