Responsável por catálogo de desenhos italianos de museu argentino que identificou cópias de Michelangelo diz como identifica obras dos grandes mestres 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cópia de desenho preparatório para a pintura da Capela Sistina por Michelangelo. 198 x 253 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Catálogo recém-publicado fruto de mais de três décadas de pesquisa do arquiteto e curador argentino Ángel Navarro reúne 248 obras de mestres italianos do acervo do Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires. Pesquisa de Ángel Navarro corrigiu diversas atribuições históricas de autoria, revelando que obras antes creditadas a gênios como Michelangelo, Rafael e Da Vinci eram, na verdade, cópias ou trabalhos de outros artistas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ao receber uma proposta para um cargo no exterior que seria o sonho de qualquer curador, o argentino Ángel Navarro recusou. “O principal motivo é que eu estaria trabalhando com obras que vêm sendo estudadas há 200 ou 300 anos. Mas esse trabalho precisava ser feito na Argentina.” A prova disso reside no resultado de uma pesquisa iniciada por este arquiteto de 79 anos há mais de três décadas, quando foi contratado pelo Museu Nacional de Belas Artes, em Buenos Aires, para elaborar um inventário. Este projeto é a origem do recém-publicado catálogo “Dibujos de la colección del Museo Nacional de Bellas Artes. Escuela italiana siglos XVI-XVIII” (“Desenhos da coleção do Museu Nacional de Belas Artes. Escola italiana dos séculos XVI a XVIII”, em tradução livre), publicação de 325 páginas com 248 obras de grandes mestres italianos como Giorgio Vasari, Parmigianino e Federico Barocci, entre outros. A maior parte das obras do catálogo pertencia à coleção do inglês John Whitcomb Bayley (1787-1869), que não havia sido estudada até que Navarro a empreendeu com a colaboração de diversas instituições, colegas e amigos locais e estrangeiros. Nesta entrevista, o curador conta como consegue diferenciar obras legítimas atribuídas a grandes mestres de obras produzidas por artistas “menores”. Por que este catálogo se concentra apenas nos italianos? Começamos com os italianos porque eles representam a maioria. Estudar esse material é muito complicado porque estamos muito longe dos centros de arte, das principais bibliotecas. Desenhos de mestres italianos no acervo do Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires 1 de 13 Federico Zuccari (Sant´Angelo in Vado, 1539 – Ancona, 1609), "Assunção da Virgem" , 224 x 268 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires 2 de 13 Caricaturas feitas por Anibale Carracci. 244 x 168 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Giorgio Vasari (Arezzo, 1511–Florença, 1574) "Três anjos aparecem à familia de Abraão". 1571. 235 x 165 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires 4 de 13 Agostino Carracci (Bolonha, 1557 – Parma, 1602) "Virgem com a criança, São João Batista, Santa Bárbara e Santa Catarina". 260 x 180 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires X de 13 Publicidade 5 de 13 Luca Cambiaso (Moneglia, 1527 – El Escorial, 1585) "Quimera". 191 x 242 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires 6 de 13 Agostino Carracci (Bolonha, 1557 – Parma, 1602). "Estudo de cão, mulher e criança". 260 x 180 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires X de 13 Publicidade 7 de 13 Annibale Carracci (ateliê?). "Duas santas recebem coroas de um anjo". 244 x 168 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires 8 de 13 Cópia feita provavelmente por Daniele da Volterra de desenho preparatório de figuras humanas feitas por Michelangelo para "O juízo final". 325 x 220 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires X de 13 Publicidade 9 de 13 Francesco Mazzola, o Parmigianino (Parma, 1503 – Casalmaggiore, 1540). Estudo para "Visão de São Jerônimo", feito por volta de 1527. 140 x 110 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires 10 de 13 Jacopo Negretti, o Palma Jovem (Veneza, ca. 1548 – 1628). "A flagelação", feita por volta de 1600. 288 x 237 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires X de 13 Publicidade 11 de 13 Cópia de desenho preparatório de Michelangelo para a escultura "O dia", da Sacristía Nova da Igreja de São Lourenço, em Florença. 250 x 395 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires 12 de 13 Anônimo. Anónimo. Século XVI (?) "Baco visita poeta Icário". 268 x 411 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires X de 13 Publicidade 13 de 13 Guglielmo della Porta (Porlezza, 1515–Roma, 1577) "Armadura soldado romano". 384 x 223 mm — Foto: Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires Federico Zuccari (Sant´Angelo in Vado, 1539 – Ancona, 1609), "Assunção da Virgem" 224 x 268 mm Como esses desenhos chegaram ao MNBA? A maioria dos desenhos vem da coleção de John Whitcomb Bayley. Ele era um amador que viajou para a Itália e morreu na França em meados do século XIX. Comprou obras na Itália e também na Inglaterra, quando algumas coleções muito importantes foram dispersas. Adquiriu algumas peças que por vezes são debatidas, no sentido de que não eram as melhores da coleção. Os italianos eram os que mais lhe interessavam. A coleção ressurgiu em Roma em 1906, quando Eduardo Schiaffino, diretor do MNBA, estava terminando uma viagem, e o livreiro Ildebrando Rossi planejava leiloá-los na capital italiana. Schiaffino ficou entusiasmado e decidiu comprar a coleção. Ele percebeu que, em comparação com os museus europeus, estávamos atrasados. Schiaffino foi criticado por essa compra? Ele foi criticado por ter desenhos sem assinatura. Mas geralmente esses desenhos são papéis de trabalho que os artistas não assinam, a menos que seja uma obra especial, uma encomenda ou um retrato. E o fato de Schiaffino ter dito que os desenhos não estavam assinados é uma grande confissão de ignorância. Há muitas obras que foram atribuídas a artistas como Rafael, Michelangelo e Da Vinci, e agora foi comprovado que não eram deles. Isso se deve à sua pesquisa? Já alterei muitas atribuições, mas isso sempre acontece. Muitos desses grandes artistas tinham colaboradores, tinham alunos. Esses tipos de obras às vezes são exercícios; os alunos copiavam coisas que viam. Em geral, são materiais de trabalho, que muitas vezes se perdem ou são descartados. Mas, já no século XV, algumas pessoas começaram a colecioná-los. Dentre as 248 obras incluídas no catálogo, 25 foram catalogadas como sendo de Michelangelo, mas agora seis delas aparecem como “Cópias de Michelangelo”. Há também 19 obras de alta qualidade que, anteriormente atribuídas a Michelangelo, agora reconhecemos como sendo de outros artistas importantes. Uma situação semelhante ocorre com outros grandes artistas da Renascença, como Rafael e Leonardo da Vinci, dos quais Bayley contabilizou três obras. Como saber quando uma atribuição está errada? Bem, você conhece as características dos artistas. No desenho, é muito interessante porque ele é feito quase como se escreve uma carta. Nem todos escrevemos da mesma maneira, e isso também é perceptível nos desenhos. Você vê e diz: “Esta não é a mão de Michelangelo.” É mais fácil reconhecer um estilo em um desenho do que em uma pintura? Sim, porque o elemento gráfico é mais rápido de se detectar. Então, você vê um desenho e diz: “Isto é veneziano.” Como você sabe? É como quando você vê uma carta e diz: “Ah, minha mãe escreveu para mim.” Você reconhece a caligrafia. Você pensa: “Um romano jamais faria isso.” O que um romano jamais faria? Por exemplo, em Roma, a composição clássica tem muita importância. Ela existe em outros lugares, mas é mais proeminente em Roma. É um desenho muito meticuloso. Tem muitos detalhes, e o estilo florentino também. E o que caracteriza os desenhos venezianos? Seus desenhos são um tanto contidos, mais econômicos no uso de materiais gráficos. Eles também fazem uso extensivo de pincel e aquarela em seus desenhos. E, claro, há o fato de que se pode dizer: “Isso é de tal lugar, e eu acho que essa caligrafia pode ser associada a tal artista.”