Fragmentação da direita e o fato de serem pouco conhecidos nacionalmente são hipóteses para ausência de 'herdeiro'; pesquisa aponta cenário de momento em que 'terceira via' é voto inválido ou indecisão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caiado, Zema e Renan: sem opções de centro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo, Nilani Goettems/Valor e divulgação Partido Missão RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 13:37 Herdeiros de Flávio Bolsonaro enfrentam desafios para conquistar eleitores, revela pesquisa Os potenciais herdeiros dos votos de Flávio Bolsonaro, como Caiado, Renan Santos e Zema, não conseguiram capitalizar a perda de apoio do senador, segundo pesquisa Genial/Quaest. A fragmentação da direita e o baixo reconhecimento nacional são apontados como entraves. Lula lidera com 40% das intenções de voto. A rejeição a Flávio cresce, enquanto a indecisão e votos nulos aumentam. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que, até o momento, os principais pré-candidatos à "terceira via" na corrida à Presidência não conseguiram capitalizar a perda de votos de Flávio Bolsonaro (PL), especialmente na direita não bolsonarista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto, com 40%, seguido pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que marca 28% — a distância no primeiro turno entre o petista e o senador já foi de cinco pontos, em abril, e agora é de 12. Apesar disso, os dados apontam que não há transferência massiva de eleitores que indicavam voto em Flávio para Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) ou Romeu Zema (Novo). Os ex-governadores e o ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) seguem empatados tecnicamente em terceiro lugar, com intenções de voto entre 2% e 4%, segundo a Quaest, cuja margem de erro é de dois pontos percentuais. Nos últimos meses, impulsionado pela revelação do elo com o banqueiro preso por fraude Daniel Vorcaro, pela associação do tarifaço americano à atuação bolsonarista no exterior e pela exposição da briga com Michelle Bolsonaro (PL), o recuo de Flávio não se traduziu em crescimento de alguma alternativa à polarização. Na divulgação anterior da Quaest, há um mês, o petista tinha 39% e o senador, 29%. Mas Flávio chegou a somar 33% no primeiro turno em maio, no ápice de sua pré-campanha até aqui. De lá para cá, o pré-candidato do PL perdeu cinco pontos, que acabaram se diluindo entre Caiado, Renan Santos, Zema e principalmente entre eleitores indecisos e aqueles que citam voto nulo ou em branco. Apoio a Flávio rui na direita não bolsonarista/ indecisos saltam Atualmente, os indecisos são 11%, num salto de seis pontos desde maio, quando eram 5%. Os entrevistados que indicaram a intenção de votar nulo, em branco ou de nem irem votar chegaram a ser 16% em março deste ano, mas caíram a 11% no mês seguinte e foram oscilando dentro da margem de erro até chegar aos atuais 8%. Enquanto isso, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado teve pico de 6% na Quaest de abril, foi a 3% em junho e agora tem 4%. O ativista do MBL Renan Santos, por sua vez, obteve 2% das intenções de voto em abril e foi a 3% em junho, mesmo patamar observado no levantamento divulgado nesta quarta. Zema tinha 4% em maio, recuou a 2% em junho e agora mantém esse número. A sondagem mostra que o apoio a Flávio caiu especialmente entre os eleitores que se identificam com a direita não bolsonarista: em dois meses, ruiu 21 pontos, de 74% em maio a atuais 53%. É o pior resultado nesse estrato para o pré-candidato do PL desde dezembro de 2025, quando marcou 45% entre direitistas não bolsonaristas (em janeiro, por exemplo, ele saltou a 59%). No grupo desse mesmo posicionamento político, Zema tem hoje 6% das intenções de voto; Caiado, 5%; e Renan, 4%. O declínio começou a partir das notícias do envolvimento de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro pelo financiamento do filme do pai, "Dark Horse". O senador sempre negou irregularidades no caso. A fragmentação da direita e o fato de os outros pré-candidatos à Presidência ainda serem pouco conhecidos nacionalmente são hipóteses para a ausência de migração significativa de votos de Flávio. Segundo o levantamento divulgado nesta quarta, 44% não conhecem Caiado; 50% desconhecem Zema; e 77% não sabem quem é Renan Santos. Eleitor de Flávio está menos convicto Além da queda no apoio na direita, o eleitor de Flávio Bolsonaro está menos convicto. Em junho, 70% afirmavam que o voto no senador para presidente era definitivo — agora, são 62%. No mesmo período, a proporção de apoiadores de Flávio que admitiu poder mudar de voto foi de 30% a 37%. Enquanto isso, Lula passou de 71% a 77% entre eleitores convictos, e aqueles que ainda podem mudar de opção até o pleito somaram 23%, ante 29% do mês passado. A maioria dos eleitores de Caiado (57%), de Renan Santos (65%) e de Romeu Zema (70%) também indicaram que podem trocar de candidato. O levantamento ainda mostra que 57% dos brasileiros conhecem e não votariam em Flávio Bolsonaro (PL). A rejeição ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro oscilou um ponto para cima desde junho, enquanto a do principal concorrente, Lula, recuou três pontos no mesmo período (53% a 50%). A diferença entre os dois, agora, é de sete pontos percentuais — em abril, o presidente era o mais rejeitado (55%), seguido pelo senador (52%). A rejeição de Flávio vem numa crescente desde as revelações do elo do senador com Vorcaro. E vem oscilando para cima após a divulgação dos vídeos da madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), em que ela acusa o enteado de tê-la maltratado e desrespeitado sua visão política, e da viagem aos EUA. O senador pediu desculpas à madrasta e reforçou a agenda pró-mulheres e religiosos para conter desgastes nesses segmentos eleitorais, nos quais Michelle é uma das figuras mais influentes do país. Este mês, ele também discursou em Washington contra o tarifaço sobre produtos brasileiros e defendeu o Pix — numa tentativa de contornar impactos negativos para a campanha pela atuação bolsonarista em prol de sanções estrangeiras contra supostas violações de direitos de aliados. Depois de Lula e Flávio, os pré-candidatos mais rejeitados são Caiado e Zema, que têm patinado em tentar furar a polarização e se apresentar como opção viável de terceira via. Os ex-governadores goiano e mineiro são rejeitados por 34% e 31%, respectivamente. A recusa a Caiado oscila dentro da margem de erro desde abril, enquanto a de Zema cresceu quatro pontos a partir de maio e voltou ao patamar registrado em abril. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026,. O Genial/Quaest fez entrevistas com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, de 10 a 13 de julho, pelo país. A margem de erro para a amostra geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%.
Quaest: Votos em Flávio na direita não bolsonarista caem 20 pontos em 2 meses, mas Caiado, Zema e Renan não decolam
Fragmentação da direita e o fato de serem pouco conhecidos nacionalmente são hipóteses para ausência de 'herdeiro'; pesquisa aponta cenário de momento em que 'terceira via' é voto inválido ou indecisão






