Outras 9 pessoas foram presas, entre elas os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, apontados como responsáveis pela expansão interestadual e internacional da estrutura financeira do grupo. Bárbara Luzia Souza de Carvalho foi presa na Operação Hawala — Foto: Reprodução De acordo com a força-tarefa, o esquema de lavagem de dinheiro do qual Bárbara Luzia e os Zayouns faziam parte movimentou R$ 100 milhões em 3 anos. O esquema não distinguia facções e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo usava empresas de fachada que vendiam até produtos falsificados e eletrônicos roubados. Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumpriram ainda 37 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu. A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ também impôs medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens e de participações societárias. O Gaeco denunciou 22 pessoas no total. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira aceitou integralmente a denúncia, tornando todos réus. A TV Globo não conseguiu contato com a defesa dos investigados. Polícia Civil e MPRJ fazem operação contra esquema que lavou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas — Foto: Reprodução Os presos Ali AlfakihBarbara de Oliveira RosaBárbara Luzia Souza de CarvalhoKassem ZayounLucas Gabriel VidalReda ZayounSamuel Morais da HoraThierry Martins Lourenço RibeiroYago Jorge de Souza DanielYasser Zayoun Como foi a investigação A investigação começou na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que descobriu uma “multimarcas” sediada no Complexo do São Carlos e vinculada à cúpula do facção Terceiro Comando Puro (TCP) que vendia itens falsificados e recebia eletrônicos roubados. Bárbara Luzia era esposa do dono dessa multimarcas e constava como proprietária da Babe Cell. A partir de um rastreamento, a especializada encontrou uma rede de dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados e criadas para escoar o dinheiro do tráfico. O grupo também utilizava o smurfing, depósitos fracionados em espécie para burlar mecanismos de controle. Suspeita de ligação com operador da Al-Qaeda Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e o egípcio Haytham Ahmad Shukri, investigado pelo governo dos Estados Unidos, por ligação com o grupo terrorista Al-Qaeda. “São dados que ainda estão crus, que ainda não dá para confirmar esse vínculo”, ponderou o delegado Pedro Brasil.