Para especialista em gestão de ativos de geração, curtailment deixou de ser apenas risco operacional e passou a ser variável financeira: qualidade da gestão define quem perde menos Divulgação — Foto: Divulgação Os cortes compulsórios de geração, o curtailment, já custaram cerca de R$ 6,5 bilhões aos geradores eólicos e solares em 2025 e seguem sem solução à vista. O que o setor ainda discute pouco é que o prejuízo não é igual para todos: a exposição depende da localização do ativo na rede e, diante do mesmo corte, o resultado varia conforme a gestão . A classificação de cada restrição precisa ser acompanhada e verificada em seus efeitos na contabilização , perdas precisam ser medidas e documentadas, e a compensação criada em lei depende de dossiê bem construído. É nessa camada, silenciosa, técnica e diária, que uma gestão próxima e sob medida se converte em diferença financeira. Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, consultoria voltada a empresas donas de usinas de geração, defende que o setor ainda trata o problema de forma padronizada quando a solução exige o oposto. "Cada ativo tem contratos, exposições e riscos diferentes. Um modelo genérico pode até cobrir as obrigações mínimas, mas dificilmente protege a receita de quem está no meio de um ciclo de cortes", afirma. Na avaliação do executivo, o acompanhamento individualizado de cada cliente, com a equipe atuando como extensão do time do gerador para proteger receita, antecipar riscos e capturar valor, é o que diferencia resultados diante de cortes idênticos. Para Sozzi, a diferença entre geradores que conseguem preservar resultado e os que acumulam perdas está concentrada em três frentes. A primeira é o domínio integral da cadeia regulatória. "A primeira competência é dominar a cadeia regulatória inteira, da classificação de cada corte pelo operador ao cálculo final na câmara de comercialização. São pouquíssimos os profissionais que conhecem esse circuito de ponta a ponta, e é nele que a perda se define", diz. A segunda frente é a previsão de preços e a gestão do risco de exposição ao mercado de curto prazo. O gerador com energia cortada e contratos de venda a honrar pode ser forçado a comprar energia no mercado spot para cobrir a diferença. "Quem não antecipa cenários de preço paga o corte duas vezes", resume o executivo. A terceira envolve a estruturação de modelos de negócio desenhados para conviver com a intermitência dos cortes. "A terceira é desenhar modelos de negócio pensados para conviver com o curtailment, soluções que não estão nos manuais, porque o problema também não estava". No plano regulatório, a Lei 15.269/2025 criou mecanismo de compensação para parte dos cortes de eólicas e solares, condicionado à assinatura de termo de compromisso com renúncia a ações judiciais. A regulamentação está em curso na ANEEL . Na avaliação de Sozzi, o ponto central é que o acesso à compensação depende de medição, documentação e do acompanhamento correto da classificação de cada corte , ou seja, de gestão. O risco, acrescenta, não está circunscrito às renováveis conectadas à rede básica: os desligamentos emergenciais já alcançam usinas ligadas às redes das distribuidoras, o que amplia o universo de geradores expostos. Sozzi compara o curtailment ao risco hidrológico que as hidrelétricas aprenderam a incorporar à estratégia ao longo de décadas: um risco que não se resolve por decreto, mas que o mercado gradualmente passa a gerir. "Gerar bem já não basta. É preciso gerir bem", conclui o CEO da Lux Energia.
Cortes de geração custaram R$ 6,5 bi ao setor, mas o prejuízo não é igual para todos
Para especialista em gestão de ativos de geração, curtailment deixou de ser apenas risco operacional e passou a ser variável financeira: qualidade da gestão define quem perde menos








