Tribunal rejeita pedido baseado na liberdade de culto, mas considera que a legislação sobre a cannabis é excessivamente severa diante da realidade do país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rastafarianos em Nairóbi, 4 de julho de 2026 — Foto: Tony KARUMBA / AFP Um tribunal queniano negou nesta quarta-feira (15) aos rastafáris o direito de fumar maconha por motivos religiosos. Os rastafáris, normalmente identificados por seus dreadlocks, afirmam que o consumo de maconha faz parte de sua prática de meditação religiosa. O movimento, de caráter político e espiritual, nasceu na Jamaica na década de 1930, coincidindo com a coroação de Haile Selassie, a quem seus seguidores consideram o segundo Messias, enviado para salvar o povo negro. Difundido por todo o mundo, o movimento se define como místico, pan-africanista, anticolonialista e vegetariano. Os rastafáris aguardavam havia anos que a Justiça queniana decidisse se poderiam consumir maconha com base na liberdade de culto garantida pela Constituição. Mas o tribunal entendeu que a legislação vigente não viola a liberdade religiosa dos seguidores do rastafarianismo e rejeitou o pedido "em sua totalidade". Rastafarianos em Nairóbi, 4 de julho de 2026 — Foto: Tony KARUMBA / AFP Lei sobre cannabis Os rastafáris do Quênia denunciam assédio policial em razão de uma lei de 1994, que pune a posse de maconha para consumo pessoal com até 10 anos de prisão e uma multa elevada. Apesar de negar o direito ao uso religioso da substância, o tribunal afirmou que a legislação é excessivamente severa, levando em consideração que o consumo recreativo de cannabis se generalizou no país. O "status quo é insustentável", afirmou o tribunal, que defendeu "conversas francas sobre a maconha e o rumo que elas devem tomar". O país do leste da África reconheceu oficialmente o rastafarianismo em 2019, quando um tribunal decidiu que expulsar um estudante da escola por causa de seus dreadlocks violava seus direitos religiosos.