O mercado de escritórios segue recuperando ocupação em São Paulo, bem a tempo de uma nova leva de prédios grandes na capital. A cidade fechou o segundo trimestre com apenas 13,1% de taxa de vacância em edifícios corporativos de alto padrão, de acordo com a consultoria JLL. Em 2020, a taxa era de 20,2% e, no fim do ano passado, de 14,7%. A absorção líquida, medida que considera as novas locações e desconta os espaços devolvidos, foi de 62,8 mil m² no trimestre, o que fez o primeiro semestre terminar com 153 mil m² absorvidos, segundo a JLL, em linha com o comportamento de 2025. São bons indicadores para o setor, que vai receber um fluxo maior de novo estoque nos próximos meses. O Alto das Nações, novo prédio mais alto de São Paulo, com 99 mil m² de área corporativa, recebeu no fim de junho o Habite-se, documento da prefeitura que atesta que está pronto para ser ocupado. Christofer Mariano, diretor de locações da RealtyCorp, consultoria que participa da comercialização do empreendimento, afirma que a demanda tem sido grande, com consultas feitas por empresas que buscam de 2 mil m² a mais de 50 mil m². O preço médio pedido fica entre R$ 120 e R$ 150 o metro quadrado por mês, conta, a depender do andar. É o dobro da média de R$ 63 encontrada pela JLL na Chácara Santo Antônio, onde o prédio está localizado. “É uma região com prédios mais antigos, menores, fica complicado fazer um paralelo”, afirma Mariano. Já se tornou público que o Itaú está avaliando locar andares do projeto, embora ainda não tenha se decidido entre o prédio e seu maior concorrente, uma das duas torres do Esther Towers, empreendimento que a Eztec está finalizando, a apenas um quilômetro do Alto das Nações. Segundo Mariano, o banco busca cerca de 50 mil m² para alugar. A primeira torre do Esther Towers tem 47 mil m². Se a empresa precisa de mais de 50 mil m2, não tem como fugir desses dois prédios” A Altre, empresa imobiliária do grupo Votorantim, proprietária de 57% da torre Alto das Nações, confirma que ainda não há contratos fechados, mas que a procura tem sido alta. É da empresa, inclusive, o último andar da torre, que possui um mirante no topo dos seus 219 metros de altura. O local, no entanto, pode ser negociado para se tornar escritório, não área turística — tudo vai depender do ocupante. Procurados, Itaú e Eztec não retornaram ao contato do Valor. Felipe Giuliano, diretor de locação da consultoria CBRE, avalia que os dois empreendimentos fizeram bem em segurar as entregas, à espera de uma hora mais propícia para lançar suas áreas no mercado. “Acabou sendo o momento certo”, diz. No caso da Esther Towers, é esperado que a primeira torre seja entregue até o fim do ano e a segunda, em meados de 2027. “Quando você fala de empresa que precisa de mais de 50 mil m², não tem como fugir desses dois prédios”, afirma. Giuliano cita dado do CBRE de que a quantidade de empresas que ocupam mais de 20 mil m² de espaço corporativo subiu 64% entre 2010 e 2025, enquanto o tamanho médio de um prédio de escritório em São Paulo recuou de 11,5 mil m² para 9,5 mil m², por causa de mudanças no Plano Diretor do município. Segundo ele, não falta interesse de desenvolvedores para fazer complexos grandes, o que faltam são terrenos que comportem os projetos. “Tem projetos mapeados para 2028, na Faria Lima, mas vai ter um período sem entregas”, afirma Giuliano. O próprio complexo do Alto das Nações possui outra torre corporativa, um edifício multiuso com 9 mil m2 de escritório e andares residenciais. Toda a área corporativa foi alugada no segundo trimestre para a Braskem. Enquanto isso, já há regiões na cidade sem espaço disponível, como a Rebouças, uma área nova para prédios corporativos que surpreendeu pela boa aceitação e crescimento do preço do aluguel, afirma a diretora de locação de escritórios da JLL, Yara Matsuyama. A consultoria aponta ausência de vacância por ali. “Só de 2028 para frente devemos voltar a ter novo estoque na região, vamos ter um jejum na Rebouças”, diz. Cenário nacional A redução de vacância não se restringe a São Paulo e tem acontecido em outras capitais do país, aponta a CBRE. No Rio, a vacância está em 22,3% nos imóveis de alto padrão, ante 80% no auge da pandemia, lembra Giuliano. A Zona Sul da cidade, a mai desejada pelos ocupantes, tem apenas 12% de vacância. “Quando se fala em Botafogo e Zona Sul, se uma empresa quiser 2,5 mil metros quadrados, vai ter que diminuir a área ou dividir a empresa em dois [lugares]”, afirma. Em outras capitais, como Curitiba e Belo Horizonte, a vacância tem ficado entre 10% e 15%, aponta o diretor, com empresas fazendo pré-locações de 10 mil metros quadrados na capital mineira, para garantir o espaço, antes da entrega dos empreendimentos. A vacância média no Brasil para o setor é de 17,4%, aponta a CBRE, que analisa 23 cidades, uma queda de quase 1 ponto percentual em um ano.
Ocupação de escritórios segue em alta em São Paulo
Cidade tem mais um trimestre de demanda aquecida por área corporativa e setor prepara entrega de dois grandes prédios







