Guerra por arquipélago amplia rivalidade extracampo, mas conexão entre os países tem história bem mais longa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Thomas Hogg, Ossie Ardiles, Aguero e Mac Allister: diferentes personagens da relação entre Inglaterra e Argentina — Foto: Reprodução; X/Tottenham; AFP PHOTO / Oli SCARFF; Kevin C. Cox/Getty Images/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 23:00 Rivalidade futebolística Inglaterra-Argentina: da Guerra às Copas A relação entre Inglaterra e Argentina, marcada pela Guerra das Malvinas, influenciou a rivalidade no futebol, evidenciada na semifinal da Copa do Mundo de 2026. Ingleses introduziram o futebol na Argentina em 1867, e a influência permanece. A guerra afetou jogadores como Ardiles e Villa, mas hoje, argentinos têm destaque na Premier League. O técnico Lionel Scaloni pede foco apenas no futebol, apesar das tensões históricas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO É impossível ignorar o principal contexto extracampo que não apenas permeia a semifinal da Copa do Mundo de 2026, entre Inglaterra e Argentina (hoje, às 16h, em Atlanta), como também amplia a própria rivalidade de longa data entre as duas seleções: a Guerra das Malvinas (ou Ilhas Falkland, para os ingleses). A disputa pela soberania sobre o arquipélago, que virou conflito armado em 1982, é parte de uma linha muito maior que entrelaça a história e formação do futebol nos dois países. Mais de um século antes da guerra, ingleses protagonizavam a primeira partida de futebol da história da Argentina. Foi no dia 20 de junho de 1867, com membros do recém-fundado Buenos Aires (também grafado como Buenos Ayres) Football Club, o primeiro do país. A modalidade era recém-nascida e foi levada à América Latina por ingleses ou por intercâmbio com a Inglaterra. Naquele jogo, 16 homens com sobrenomes britânicos se reuniram no campo do Buenos Aires Cricket, no bairro de Palermo. Poderia ter acontecido, inclusive, em La Boca, bairro que, futuramente, seria o local de nascimento de Boca Juniors e River Plate, mas chuvas e inundações impediram. O inglês Thomas Hogg, um dos pioneiros do futebol na Argentina — Foto: Reprodução A partida, entre os times de boinas brancas e vermelhas (cores que seguiriam populares), terminou 4 a 0 para o time branco, capitaneado por Thomas Hogg, um dos fundadores do clube e idealizador do futebol no país, junto ao irmão, James. Nascidos em Leeds, na Inglaterra, os Hogg eram filhos de uma primeira onda de imigração britânica para a Argentina, no século XIX. Eram do setor bancário e do comércio, segundo o jornal argentino “El País”, ainda que vários dos imigrantes fossem ligados a construções de ferrovias. Hogg não ficou com o “título” de pai do futebol argentino, que foi para o escocês Alexander Watson Hutton, fundador do Alumni AC, multicampeão amador, além da primeira encarnação do que hoje é a Associação de Futebol Argentino (AFA), já entre o fim do século XIX e o início do século XX. Mas a influência inglesa seguiu, entre fundadores de equipes e a tradição de usar o inglês nos nomes. Malvinas, Ossie e Villa Oito décadas no novo século e uma história de evolução da modalidade depois, a Guerra das Malvinas mudou a vida de outros dois pioneiros, mas do outro lado da relação: os meias Osvaldo “Ossie” Ardiles e Ricardo “Ricky” Villa, protagonistas de uma geração de jogadores argentinos que desbravou o futebol inglês após o título mundial de 1978. A dupla fez sucesso pelo Tottenham. Juntos, conquistaram a Copa da Inglaterra de 1981 e ajudaram a equipe a ir à decisão no ano seguinte, mas ficaram de fora da nova final, disputada pouco mais de um mês após o início do conflito. A tensão entre argentinos e ingleses cresceu. Mesmo defendidos pelos torcedores dos Spurs, os dois passaram a ser alvos de hostilidades durante as partidas. Ardiles, que chegou a perder um primo na guerra, não retornou após convocação para a seleção. Seria emprestado ao PSG e só voltaria ao clube em janeiro do ano seguinte. Villa, que marcou gol icônico na decisão de 1981, optou por não jogar a nova final. — Ossie foi jogar no PSG e eu fiquei. Fui criticado nos jornais argentinos, diziam que eu estava feliz no país do inimigo. Idiotas. Eu era profissional, tinha contrato e me tratavam bem. Às vezes, me vaiavam, mas era só. Um jogador inglês nunca poderia ficar em Buenos Aires naquela época. Não foi difícil tomar a decisão de não jogar a final. Eu sabia que a História diria se eu estava certo — afirmou, quase duas décadas depois. As Ilhas Malvinas (ou Falkland), em foto de satélite da Nasa, em 2003 — Foto: AFP PHOTO/NASA Protagonistas argentinos Passado o conflito, as memórias e o ressentimento ainda existem, mas o futebol inglês, hoje, é um terreno fértil para estrelas argentinas. Nomes como Mauricio Taricco, Verón, Crespo, Mascherano e Tévez trilharam caminhos de protagonismo por lá. Sergio Agüero, pentacampeão da Premier League com o Manchester City, é ídolo do clube. Aguero virou ídolo do Manchester City — Foto: AFP PHOTO / Oli SCARFF A chegada de argentinos cresceu exponencialmente nos anos 2000. Em 2002, foi estabelecido um recorde, com nove jogadores: Juan Sebastián Verón (Manchester United), Vicente Vuoso (Manchester City), Facundo Sava e Martín Herrera (Fulham), Julio Arca e Nicolás Medina (Sunderland), Taricco (Tottenham), Carlos Marinelli (Middlesbrough) e Christian Bassedas (Newcastle). Atualmente, a Argentina aparece entre os cinco países com mais jogadores na Premier League, com 15, atrás apenas de França, Brasil, Holanda e Espanha. Cinco deles estão no time titular de Lionel Scaloni e são pilares: o goleiro Emiliano Martínez (Aston Villa), os zagueiros Cristian Romero (Tottenham) e Lisandro Martínez (Manchester United), além dos meio-campistas Alexis Mac Allister (Liverpool) e Enzo Fernández (Chelsea). No banco, o zagueiro Marcos Senesi (Tottenham) completa a lista. Mac Allister e Romero na Copa de 2026 — Foto: Kevin C. Cox/Getty Images/AFP Numa demonstração de um relativo poder diplomático do futebol, a mãe do meia Mac Allister, do Liverpool (que é de origem irlandesa), chegou a sair em defesa dos ingleses ao dizer que não cantaria “quem não pula é inglês”, verso de provocação da torcida argentina: — Fomos acolhidos por um país que nos tratou da melhor maneira possível — disse Silvina, que foi criticada nas redes sociais. Técnico da equipe, Lionel Scaloni também tentou esfriar o clima: — É uma partida de futebol. A mensagem é que é uma partida de futebol. Não busquemos mais nada.
Antes e depois das Malvinas: relação entre Inglaterra e Argentina passou por nascimento do futebol e idolatrias interrompidas
Guerra por arquipélago amplia rivalidade extracampo, mas conexão entre os países tem história bem mais longa














