O Dia do Homem, celebrado no Brasil neste 15 de julho, surgiu como uma brincadeira, conta o escritor Edson Marques, que afirma ser um dos idealizadores. A data teria sido proposta pela Ordem Nacional dos Escritores durante um jantar em São Paulo, em 1992. No ano seguinte, a Pensão Jundiaí, confraria comandada pela escritora Mariazinha Congílio, consolidou a efeméride premiando personalidades masculinas.

Ao longo dos anos, o dia tomou outro rumo e passou a ser adotado formalmente e usado para promover a conscientização da saúde masculina, estimulando o autocuidado. É diferente do Dia da Mulher, em 8 de março, reconhecido pela ONU como marco da luta por direitos de igualdade de gênero.

Na década de 1990, o papel do homem na sociedade, e até mesmo o que significa ser homem, não era algo debatido. A ideia de que isso fosse algo a ser revisado e transformado não era questionado como hoje, diz Guilherme Valadares, fundador do Papo de Homem, projeto destinado a eles que propõe discutir masculinidades.

"Falar sobre o tema em público praticamente não existia", diz Valadares, que fundou a plataforma em 2006. O debate então girava em torno de como ser mais viril e mais bem-sucedido, completa. "Conversar sobre masculinidade existia como piada de revista masculina, como dica de comportamento e uma obrigação. Hoje se fala em masculinidades, no plural."