As prisões de imigrantes aumentaram nas últimas semanas, mesmo com o governo Trump tendo se afastado das operações de varredura em grande escala em cidades governadas por democrata O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) suspendeu nesta terça-feira as abordagens de veículos relacionadas à fiscalização de imigração, segundo duas fontes, depois que um agente matou um colombiano a tiros na cidade costeira de Biddeford, no Maine, cerca de 24 km ao sul de Portland. O episódio ocorreu apenas seis dias após um motorista mexicano ter sido morto da mesma forma em Houston, no Texas. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) dos EUA divulgou um comunicado quase 12 horas após a morte, afirmando que o agente, “temendo pela segurança pública”, abriu fogo quando o motorista tentou fugir dos agentes que tentavam mandá-lo parar. As autoridades não explicaram como o motorista poderia ter representado uma ameaça ao público, nem se isso justificaria o uso de força letal. De acordo com a política do ICE, os agentes só podem usar força letal quando houver “perigo iminente de lesão corporal grave ou morte para o agente ou para outra pessoa”. Eles não estão autorizados a usar força letal “apenas para impedir a fuga de um suspeito”. Embora tenham surgido algumas imagens das consequências do incidente, ainda não há nenhum vídeo público mostrando o momento dos disparos em si. O senador americano Angus King, independente do Maine que faz parte da bancada democrata, disse aos repórteres que os agentes envolvidos não estavam usando câmeras corporais, deixando questões sem resposta sobre as circunstâncias do incidente. O DHS, órgão superior do ICE, informou que os agentes estavam vigiando o último endereço conhecido de uma pessoa com uma ordem definitiva de deportação do país. Quando saiu da residência, os agentes seguiram o carro, informou a agência. O secretário do DHS, Markwayne Mullin, disse a King que o homem morto não era o alvo da operação, segundo um porta-voz do senador. Defensores dos imigrantes afirmaram que a pessoa baleada era um colombiano de 26 anos autorizado a trabalhar nos EUA. Logo depois, houve protestos e novas manifestações estavam programadas para esta terça-feira. Desde o início de junho, as prisões do ICE no Maine mais que quadruplicaram, chegando a cerca de 70 por dia no início de julho, de acordo com dados internos do órgão compartilhados com a Reuters por uma fonte. O assassinato de segunda-feira, juntamente com outro ocorrido na semana passada em Houston, elevou para pelo menos sete o número de pessoas mortas a tiros durante operações de fiscalização de imigração desde janeiro de 2025, quando o presidente americano, Donald Trump, reassumiu o cargo e lançou uma campanha de deportações em massa. Questionado sobre a suspensão das abordagens de trânsito, um porta-voz do ICE disse: “Estamos sempre avaliando nossos procedimentos para manter nossos agentes seguros e os criminosos fora das ruas. Não divulgaremos nem discutiremos táticas de aplicação da lei”. "Tentei parar" Uma testemunha, Daniel Boucher, 71, cuidador e desenhista em meio período que mora no centro de Biddeford, disse à Reuters que estava no segundo andar de seu apartamento quando ouviu o que pareciam ser fogos de artifício na manhã de segunda-feira. Ele correu até a janela e viu um SUV branco bater contra um carro branco menor. Depois de descer correndo até o nível da rua, e de um ponto de observação a apenas 6 metros de distância, Boucher viu um agente do ICE sair do SUV, abrir a porta do carro e puxar o motorista para fora, que tinha sangue no rosto e na cabeça. “Lembro-me de ouvir a vítima dizer: ‘Mas eu tentei parar’”, disse Boucher, antes que o homem parecesse parar de respirar. Em um vídeo verificado pela Reuters, o carro branco parece ziguezaguear sem rumo enquanto dois homens a pé, vestindo coletes, tentam pará-lo, mas não ficou claro se a filmagem foi gravada antes ou depois dos tiros. A Procuradoria-Geral do Maine informou que está investigando o episódio em conjunto com autoridades locais, estaduais e federais. Morte em Houston A morte em Maine ocorreu seis dias depois que um agente do ICE no East End de Houston, bairro com grande população hispânica, atirou em um homem de 52 anos, Lorenzo Salgado Araujo, após uma abordagem de trânsito durante uma operação de fiscalização de imigração. Salgado morreu. Ele não era o alvo da operação, afirmou um funcionário do DHS. O ICE afirmou em comunicado que Salgado, um cidadão mexicano que vivia ilegalmente nos EUA há mais de três décadas, bateu com sua van em um veículo da polícia e tentou atropelar um policial, que atirou em legítima defesa. A agência não apresentou nenhuma evidência para corroborar sua versão dos fatos. Em casos semelhantes ao longo do último ano, as declarações iniciais do ICE e do DHS sobre o uso da força foram contestadas por imagens de vídeo ou outras evidências, às vezes em tribunal. Três homens que estavam na van de Salgado contestaram a versão do ICE sobre o incidente, segundo o advogado de dois deles. As prisões de imigrantes aumentaram nas últimas semanas, mesmo com o governo Trump tendo se afastado das operações de varredura em grande escala em cidades governadas por democratas. Essas operações foram amplamente criticadas como violentas e excessivas depois que dois cidadãos norte-americanos foram mortos em janeiro por agentes federais em Minnesota. — Foto: AP/Yuki Iwamura
ICE suspende abordagens de trânsito após morte no Maine, dizem fontes
As prisões de imigrantes aumentaram nas últimas semanas, mesmo com o governo Trump tendo se afastado das operações de varredura em grande escala em cidades governadas por democrata












