PUBLICIDADE Doença já matou mais de 700 pessoas, e autoridades alertam para grande subnotificação de casos no país africano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vírus Ebola (em verde) infectando uma célula. — Foto: National Institutes of Allergy and Infectious Diseases (NIH) RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 09:31 Surto de Ebola na RDC pode ser até 4 vezes maior, alerta OMS O surto de Ebola na República Democrática do Congo é subnotificado, podendo ser duas a quatro vezes maior que os números oficiais, segundo a OMS. Com mais de 700 mortes já registradas, o surto é o terceiro maior da história. A rara variante Bundibugyo do vírus está em cinco províncias congolesas e Uganda, com Ituri sendo a mais afetada. Apesar de avanços na resposta, a situação é preocupante, com muitos casos ainda não identificados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira que o surto de Ebola na República Democrática do Congo pode ser até quatro vezes maior do que os números oficiais indicam. Segundo a entidade, a modelagem feita por seus especialistas aponta que muitos casos ainda não foram identificados, o que sugere uma disseminação mais ampla da doença. De acordo com os dados oficiais do governo congolês, a febre hemorrágica já infectou mais de 1.960 pessoas e provocou mais de 700 mortes desde que o surto foi detectado, há dois meses. O diretor de emergências da OMS, Chikwe Ihekweazu, disse a jornalistas em Genebra que as estimativas da organização indicam que "a escala do surto é pelo menos duas a quatro vezes maior do que o número de casos que encontramos". Ebola se torna emergência de saúde internacional; Veja fotos 1 de 11 O centro de tratamento de Ebola, em Goma, estava abandonado desde o fim do surto de 2019. Trabalhadores restauram o espaço — Foto: Jospin Mwisha / AFP 2 de 11 Uma funcionária verifica a temperatura de uma antes de permitir seu acesso ao hospital em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 4 de 11 Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola fixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Um soldado no antigo centro de tratamento de Ebola, em Goma, que estava abandonado desde o fim do surto em 2019 — Foto: Jospin Mwisha / AFP 6 de 11 Um agente sanitário higieniza as mãos de um motociclista pela fronteira entre Uganda e a República Democrática do Congo — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: Jospin Mwisha / AFP 8 de 11 Homem se prepara para entrar no Hospital Kyeshero, em um posto de controle para lavagem das mãos e aferição de temperatura para todos os visitantes — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 10 de 11 Um agente de saúde fronteiriço na passagem entre Uganda e a República Democrática do Congo, verifica a temperatura de um viajante — Foto: Badru KATUMBA / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: John WESSELS / AFP Surto da doença na África leva OMS a acionar nível máximo de emergência sanitária internacional Segundo os dados oficiais, este já é um dos maiores surtos de Ebola já registrados, com o vírus se espalhando em ritmo sem precedentes. — Este é agora o terceiro maior surto de Ebola de todos os tempos, e registramos o crescimento mais rápido em um único mês desde o início do surto entre todos os episódios de Ebola que já administramos — afirmou Ihekweazu. O 17º surto de Ebola na República Democrática do Congo foi declarado em 15 de maio, após uma série de mortes na província de Ituri, no nordeste do país, região rica em minerais e marcada pela atuação de grupos armados. Até o momento, casos da doença — transmitida pelo contato próximo com pessoas infectadas ou com seus fluidos corporais — foram registrados em cinco províncias congolesas e também na vizinha Uganda. Mais de 90% das infecções, porém, continuam concentradas em Ituri, segundo a OMS. Após retornar de uma viagem de uma semana à região, Ihekweazu classificou a situação como "profundamente preocupante". O atual surto é causado pela rara variante Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual ainda não há vacina nem tratamento aprovados. Segundo o diretor da OMS, a epidemia "continua a superar os esforços de resposta das autoridades nacionais, dos parceiros internacionais, incluindo a OMS, e das comunidades mais afetadas". Ele afirmou que a descoberta mais preocupante foi constatar que muitos dos casos recentemente registrados correspondem a pessoas que morreram em suas comunidades sem jamais terem chegado a uma unidade de saúde. Apesar do cenário, Ihekweazu disse ter observado avanços na capacidade de resposta. Segundo ele, a rede de atendimento já conta com mais de 700 leitos e segue em expansão, a capacidade dos laboratórios foi ampliada significativamente e o rastreamento de contatos já alcança cerca de 80%. O diretor também destacou que, nos últimos dias, foram registrados alguns dos maiores números diários de novos casos desde o início do surto. — Há alguns dias, registramos mais de 80 casos confirmados em um único dia. Isso é, na verdade, uma boa notícia, porque mostra que menos casos estão passando despercebidos. É um sinal de uma resposta mais madura — afirmou.