Reunião em Washington de junho produziu tratado que previa o fim do conflito no território libanês, bem como o desarmamento de grupos militantes e a retirada gradual das forças israelenses Representações das bandeiras de Israel e do Líbano em um memorial perto da fronteira entre Israel e Líbano, nos arredores de Metula, Israel, em 27 de junho de 2026, após Israel e Líbano assinarem um acordo-quadro na sequência de negociações mediadas pelos EUA — Foto: REUTERS/Amir Cohen/Foto de Arquivo Líbano e Israel retomaram nesta terça-feira, em Roma, negociações para implementar um acordo mediado pelos Estados Unidos, com Beirute buscando garantir a retirada gradual das tropas israelenses do sul do país, embora as expectativas de avanços rápidos sejam baixas. A diplomacia liderada pelos EUA ganhou força desde que o Hezbollah e Israel voltaram à guerra, em 2 de março, em meio ao conflito regional mais amplo. As negociações avançaram apesar das fortes objeções do grupo apoiado pelo Irã, que acredita que apenas a pressão iraniana sobre Washington pode garantir o fim da guerra e a retirada israelense. O Irã exigiu o fim da guerra no Líbano como parte de seu acordo provisório com Washington, assinado no mês passado, mas o entendimento foi abalado na última semana pela retomada das hostilidades entre Washington e Teerã no Golfo. As forças militares de Israel ocupam o que o país descreve como uma “zona-tampão” que avança cerca de 10 quilômetros para dentro do Líbano ao longo de toda a fronteira israelense. Autoridades israelenses afirmam que a zona é necessária para proteger as comunidades do norte de Israel de ataques lançados pelo Hezbollah. Uma reunião em Washington, em 26 de junho, produziu um acordo que previa o fim do conflito no Líbano, o desarmamento de grupos militantes — em uma aparente referência ao Hezbollah —, o envio de tropas libanesas para o sul e a retirada gradual das forças israelenses. Ataques israelenses letais, no entanto, continuaram, e o Hezbollah rejeitou tanto o acordo quanto os esforços para desarmá-lo. Israel, por sua vez, afirmou que suas tropas permaneceriam no sul do Líbano enquanto o Hezbollah continuasse armado. Autoridades libanesas e israelenses se reunirão nesta terça e quarta-feira na Embaixada dos Estados Unidos em Roma para definir como implementar o acordo-quadro, disseram autoridades libanesas à Reuters. Uma delas afirmou que a transferência das negociações para Roma facilitaria as consultas das duas delegações com seus respectivos governos durante o processo. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou na segunda-feira que o país havia se oferecido para sediar as conversas e dar continuidade aos esforços em busca de um cessar-fogo efetivo no Líbano. “Também estamos muito satisfeitos por Roma poder servir como sede dessas reuniões. Dessa forma, nossa capital se torna uma capital da paz”, disse Tajani antes de uma reunião da União Europeia em Bruxelas, na segunda-feira. Em declarações divulgadas por seu gabinete na segunda-feira, o presidente libanês, Joseph Aoun, disse esperar que a reunião de Roma produzisse “medidas concretas e práticas no terreno” para implementar o acordo e que Israel começasse a retirar suas tropas, permitindo o envio do Exército libanês para o sul. Uma das autoridades libanesas afirmou que a delegação do país buscará nas negociações desta terça-feira uma retirada gradual e sequencial das tropas israelenses, “uma zona após a outra”. A referência é ao projeto de “zonas-piloto”, segundo o qual o Hezbollah se desarmaria, as forças israelenses se retirariam e as tropas libanesas seriam enviadas gradualmente a diferentes áreas do sul do Líbano. O acordo de 26 de junho afirmou que duas zonas haviam sido identificadas como ponto de partida. Uma autoridade americana disse na semana passada que o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) coordenava com Líbano e Israel o lançamento das zonas-piloto. Uma delegação militar americana esteve no Líbano no fim de semana para discutir detalhadamente o plano com o Exército libanês, disseram fontes à Reuters. As forças militares de Israel expulsaram moradores libaneses de suas casas e realizaram explosões controladas em vilarejos inteiros. Israel afirma estar destruindo infraestrutura utilizada pelo Hezbollah, incluindo túneis subterrâneos. Mais de 4 mil libaneses morreram e mais de 1 milhão foram deslocados pela campanha de Israel no Líbano desde março, segundo o Ministério da Saúde libanês. O balanço não informa quantos combatentes podem estar entre os mortos, e o Hezbollah não divulgou números de baixas entre seus membros. A Reuters informou em 3 de maio que vários milhares de combatentes do Hezbollah haviam sido mortos. Ao menos 32 soldados israelenses e quatro civis israelenses foram mortos pelo Hezbollah, a maioria no sul do Líbano desde o início da atual rodada de combates.
Líbano e Israel negociam em Roma implementação de acordo mediado pelos EUA
Reunião em Washington de junho produziu tratado que previa o fim do conflito no território libanês, bem como o desarmamento de grupos militantes e a retirada gradual das forças israelenses







