Analistas preveem que J.P. Morgan, Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley registrarão receitas de "trading" próximas a US$ 39 bilhões no segundo trimestre Placa de sinalização em Wall Street — Foto: Yuki Iwamura/Bloomberg A onda de lucros com operações de "trading" (negociações de ativos financeiros) em Wall Street deve continuar. Os maiores bancos dos EUA — que iniciam nesta terça-feira (14) uma maratona de divulgação de resultados do segundo trimestre com cinco dessas instituições — estão colhendo os frutos de meses recentes de volatilidade, o que estimulou uma maior atividade de clientes interessados em negociar ativos. Analistas preveem que J.P. Morgan Chase & Co., Bank of America Corp., Citigroup Inc., Goldman Sachs Group Inc. e Morgan Stanley registrarão receitas de "trading" próximas a US$ 39 bilhões no segundo trimestre. Espera-se que as equipes de "trading" de ações de muitas dessas instituições gerem receitas próximas a níveis recordes, ficando logo abaixo dos picos alcançados no primeiro trimestre. Os operadores de ações do Goldman estão prestes a estabelecer um novo recorde no segundo trimestre, com essa divisão a caminho de gerar mais de US$ 5 bilhões em receita. Bancos com exposição aos mercados de ações asiáticos, em particular o Morgan Stanley, provavelmente se beneficiarão das oscilações do mercado no período, afirmaram analistas da Keefe, Bruyette & Woods (KBW), liderados por Chris McGratty, em nota a clientes. "As ações dos bancos registraram forte alta e desempenho superior desde meados de maio, à medida que as preocupações com a guerra diminuíram, o crescimento dos gastos permanece robusto e os mercados apresentam forte valorização", disseram analistas do J.P. Morgan, incluindo Vivek Juneja, em nota a clientes. Os destaques dos resultados provavelmente incluirão "receitas de banco de investimento e de "trading" acima das projeções, e a perspectiva para essas receitas deve permanecer sólida". Banco de investimento Uma coisa ficou clara no segundo trimestre: os banqueiros de investimento de Wall Street recuperaram a confiança e o ímpeto. Em meados de junho, os banqueiros do Goldman já haviam atuado como consultores em fusões e aquisições totalizando mais de US$ 1 trilhão no ano. Essa foi a marca de US$ 1 trilhão alcançada mais rapidamente por qualquer banco na história. Naquele mesmo mês, o Goldman e seus principais concorrentes, incluindo Morgan Stanley e Bank of America, levaram a SpaceX à bolsa na maior oferta pública da história. Embora a empresa de Elon Musk tenha negociado taxas extremamente baixas para a operação, ela ainda representou um dos maiores negócios em termos de comissões já vistos em Wall Street. Poucos dias antes do negócio com a SpaceX, banqueiros do Goldman corriam para estruturar o que era, na época, uma das maiores ofertas de ações já registradas, ajudando a Alphabet Inc. a captar mais de US$ 80 bilhões para financiar seus gastos gerais com inteligência artificial e capitalizar a posição única e crescente da empresa como fornecedora de chips de IA. Analistas do Morgan Stanley liderados por Manan Gosalia afirmaram, em um relatório, que "esperam comentários positivos sobre o "pipeline" de negócios consistentes com o que ouvimos ao longo do trimestre, preparando o terreno para uma força contínua" no segundo semestre do ano e até 2027. Ainda assim, a recente volatilidade nas ações de tecnologia levantou dúvidas sobre outras grandes ofertas públicas iniciais (IPOs) que estariam sendo preparadas. As ações do Morgan Stanley e do Goldman caíram no mês passado após notícias de que a OpenAI estaria cogitando adiar seu IPO para o próximo ano. Taxas mais altas por mais tempo À medida que os operadores aumentam suas apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) provavelmente manterá as taxas de juros mais altas por mais tempo sob a gestão do novo presidente Kevin Warsh, todas as atenções estarão voltadas para como isso afetará os resultados dos bancos. Por um lado, taxas mais altas impulsionam os lucros dos bancos, pois aumentam a receita de juros obtida com empréstimos. Por outro, taxas mais elevadas pressionam a capacidade dos consumidores de pagar suas dívidas. Isso pode forçar algumas instituições financeiras a reservar mais recursos para cobrir possíveis inadimplências. "É preciso pensar um pouco mais sobre o pico das margens, agora que o cenário de taxas mais altas por mais tempo se tornou a previsão base para os bancos", disse McGratty, da KBW, em entrevista. Crédito privado A turbulência em torno do crédito privado, que dominou os primeiros meses do ano, começou a diminuir, mas alguns fundos ainda enfrentam pedidos de resgate. McGratty observou que o cenário tem estado "muito tranquilo nessa frente" e que ele acompanhará atentamente quaisquer comentários relacionados ao assunto. O crescimento dos empréstimos a instituições financeiras não bancárias desacelerou em relação ao trimestre anterior, segundo analistas do J.P. Morgan, levantando questões sobre quanto disso pode ser atribuído ao crédito privado. "Estamos aguardando a divulgação dos resultados para ver se isso reflete uma desaceleração no crescimento da exposição ao crédito privado", afirmaram os analistas do J.P. Morgan.
Negociação de ativos deve turbinar balanços de gigantes de Wall Street no 2º trimestre
Analistas preveem que J.P. Morgan, Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley registrarão receitas de "trading" próximas a US$ 39 bilhões no segundo trimestre







