Uma família de imigrantes separada por agentes do governo americano. Garis limpando o sangue dos mortos deixado por uma operação policial no Rio de Janeiro. Uma ex-bailarina acamada numa cidade sueca devido à anorexia nervosa —aos 46 anos, ela pesa menos de 25 quilos.

Essas cenas foram vencedoras da World Press Photo, a mais importante premiação de fotojornalismo e fotografia documental do mundo. As imagens serão exibidas a partir desta terça-feira (14) na Caixa Cultural, em São Paulo, junto a outras 141 fotos também laureadas, numa grande mostra que já passou pelo Rio de Janeiro. Na sequência, ela segue para Curitiba e Salvador.

Foram quase 60 mil fotografias inscritas na competição, por profissionais de mais de 140 países. As imagens vencedoras se encaixam em duas vertentes, diz Joana Klaus, gerente de conteúdo do World Press Photo no Brasil.

Há os retratos de fatos jornalísticos importantes, a exemplo da grande vencedora do ano, uma imagem da americana Carol Guzy onde vemos crianças chorando ao se agarrarem, desesperadas, na camiseta do pai, que é levado por agentes do ICE, a agência de imigração do governo Donald Trump. A foto foi publicada no jornal Miami Herald.

E há registros de "questões humanas que também são globais, porque acessam populações de diferentes regiões", afirma Klaus. Ela menciona a maternidade tardia e o envelhecimento populacional, ilustrados na exposição por uma série de fotos de uma chinesa que teve duas filhas aos 60 anos, depois de perder uma criança nascida durante o período da extinta política do filho único. As imagens em preto e branco de Wu Fang, um fotógrafo independente, documentam a vida das gêmeas por 15 anos.