A modelo Helena Gomes, agredida pelo Thiago Brennand em uma academia de São Paulo em 2022, afirmou que a absolvição do empresário em um caso de estupro desencoraja mulheres de denunciarem casos semelhantes de violência. A condenação a oito anos de prisão pelo crime sexual foi revertida pela 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em maio. Ele segue preso em decorrência de outras acusações. Em entrevista ao UOL, Helena Gomes disse que a absolvição impacta todas as mulheres. — Mulheres que passaram por isso olham essa decisão e se questionam: 'vale a pena lutar?' — questionou. — Ter que passar por todo esse processo, ser violentada, ser obrigada a fazer algo que você não quer e, depois, ter um resultado negativo na Justiça faz a pessoa ter uma recaída muito forte. Helena foi agredida numa academia de alto padrão em 2022. A violência foi registrada por câmeras de segurança do estabelecimento. Em 2025, o empresário foi condenado a um ano e oito meses de prisão pelo caso. Outras mulheres acusaram Brennand — preso desde abril de 2023, após ser extraditado para o Brasil — de agredi-las e abusar delas nos últimos anos. Brennand respondeu a uma denúncia feita pelo Ministério Público de São Paulo em dezembro de 2022 relacionada à acusação de abuso sexual da estudante de medicina e ex-miss Stefanie Coen. O crime teria acontecido após um jantar na capital paulista. Na ocasião, a vítima teria passado mal por conta da ingestão de bebida alcoólica e o empresário a teria encaminhado para um quarto de hotel e forçado a prática de atos sexuais. Ao ter o caso analisado em primeira instância, a 30ª Vara Criminal de São Paulo condenou Brennand a oito anos de prisão em regime fechado pelo crime de estupro e ao pagamento de uma indenização no valor de R$ 200 mil para a vítima. Durante o julgamento, no entanto, o empresário foi absolvido de outras acusações, incluindo a punição por ter gravado o episódio sem autorização. Em seguida, a defesa dele também entrou com um recurso, afirmando que a relação sexual teria sido consensual. O MP também recorreu da sentença e pediu a condenação de Brennand pelos demais crimes imputados na denúncia e o aumento da indenização por danos morais para R$ 1 milhão. Ao chegar à segunda instância e passar a ser analisado pelo TJ-SP, o caso provocou divergências entre os magistrados. O relator do processo, desembargador Tetsuzo Namba, entendeu que as provas eram suficientes para manter a condenação, mas foi vencido pelos votos do revisor, desembargador Francisco Orlando, e do presidente da 2ª Câmara de Direito Criminal, desembargador Alex Zilenovski, que formaram maioria pela absolvição. Em nota divulgada pelas redes sociais de Stefanie, a defesa dela informou que recorrerá da decisão e buscará "o restabelecimento da condenação" por meio da interposição de um novo recurso que "sustenta que o acórdão absolutório violou a legislação federal ao atribuir prevalência a provas digitais unilaterais e desprovidas de cadeia de custódia". Em um segundo comunicado, Stefanie afirma que está "surpresa" com a decisão, mas que se mantém "encorajada e firme em seu propósito". Ela também defendeu que "a busca pela responsabilização em crimes contra a dignidade sexual é uma jornada árdua, mas indispensável". Esta foi a segunda absolvição de Thiago Brennand. Em 2024, o TJ-SP derrubou a condenação a oito anos de prisão numa acusação de estupro contra uma massagista, durante um atendimento, em 2022. Saiba quem é Thiago Brennand O GLOBO busca contato com a defesa de Brennad e com o MP-SP. O espaço segue em aberto e a reportagem será atualizada em caso de resposta. Preso desde 2023, o empresário é réu em outros oito processos e cumpre pena na Penitenciária II Álvaro de Carvalho, em Potim, no interior de São Paulo, após a condenação em primeira instância em cinco casos, de acordo com o g1. Além da acusação envolvendo a estudante de Medicina, ele também foi condenado pelo estupro de uma mulher americana, pela agressão contra a modelo Helena Gomes e pelo estupro da massagista. Em nota, a mulher e advogada dele, Karina Kufa Brennand, afirmou que a absolvição foi o "reconhecimento da verdade dos fatos" e disse que espera que, nos outros casos em que o empresário também é acusado de estupro, "a análise criteriosa das provas demonstre a inexistência de prática criminosa" por parte dele. Como contou a colunista do GLOBO Bela Megale, a jurista, conhecida por ter atuado na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se casou recentemente com Thiago, após um relacionamento de cinco meses. Eles teriam se conhecido quando Karina foi chamada para trabalhar na defesa do empresário.