Na Copa do Mundo de 2026, outro adversário entra em campo: o clima. Durante décadas, condições meteorológicas foram tratadas como uma variável logística. Hoje, elas determinam horários, alteram calendários, interrompem partidas e colocam em risco atletas, trabalhadores, voluntários e torcedores.

A crise climática deixa de ser um tema ambiental e torna-se uma questão de gestão, segurança e responsabilidade. As estações já não seguem padrões previsíveis e ocorrências extremas acontecem com maior frequência e intensidade.

Não por acaso, a Fifpro (Federação Internacional de Jogadores Profissionais de Futebol) recomenda medidas de resfriamento quando o índice WBGT —métrica que combina temperatura, umidade, radiação solar e vento— supera 28°C.

Sob calor extremo, a Fifa adotou pausas para hidratação durante os jogos. Fora dos estádios, porém, torcedores, voluntários e equipes de apoio seguem expostos às altas temperaturas, com mais de cem atendimentos médicos por calor na abertura do torneio.

A Copa de 2026 traz outro paradoxo, com 48 seleções, 104 partidas em 3 países e 16 cidades-sede. Essa expansão amplia o alcance do torneio, mas eleva fortemente sua pegada ambiental. Estimativas apontam emissões superiores a nove milhões de toneladas de CO₂, impulsionadas em especial pelo transporte aéreo de delegações, arbitragem, imprensa e torcedores, bem como o uso intensivo de climatização.