Ex-prefeito de Belford Roxo terá que cumprir medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e ter o porte de arma suspenso Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo — Foto: Divulgação/Prefeitura de Belford Roxo O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) deve ficar de fora da disputa ao Senado mesmo após ser posto em liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Canella foi preso em flagrante, por posse ilegal de arma, após agentes da Polícia Federal (PF) encontrarem um fuzil de calibre restrito no carro do ex-prefeito ao cumprirem um mandado de busca e apreensão na 6ª fase da Operação Unha e Carne, na terça-feira (7). Segundo a PF, Canella seria o braço político de um esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis na região metropolitana do Rio que movimentou R$ 7,6 bilhões. O ex-prefeito estava detido no presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, unidade conhecida como Bangu 8. Apesar da soltura, determinada por Moraes na noite de sexta-feira (10), Canella terá que cumprir medidas cautelares. Entre elas, usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e ter o porte de arma suspenso. Para dirigentes partidários ouvidos pelo Valor, a candidatura ao Senado segue inviabilizada mesmo com a decisão do STF de colocar o ex-prefeito em liberdade. A avaliação é que o desgaste da prisão, somada ao teor das investigações e à apreensão de armas e munições, torna inviável a permanência dele em uma chapa majoritária. Canella foi anunciado pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato ao Senado na chapa do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL). A mãe do senador, a ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, é a primeira suplente do ex-prefeito. Na mesma ocasião, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também anunciou o ex-governador Cláudio Castro (PL) como pré-candidato à segunda vaga no Senado e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice de Ruas. O principal receio é de que o caso prejudique ainda mais as campanhas de Flávio e Ruas, atravessadas por sucessivas operações contra deputados estaduais do mesmo campo político no Estado do Rio, considerado o berço do bolsonarismo. A decisão final, no entanto, será da federação União-Progressistas, que é “dona” da segunda vaga da chapa. Os partidos tratam a substituição com cautela, mas passaram a ventilar alguns nomes nos últimos dias. O que ganhou mais força foi o do ex-secretário de Polícia Civil do Rio Felipe Curi (PP). Outro citado nas conversas é o vereador Leniel Borel (PP), pai de Henry Borel, morto em 2021 pelo então padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho. A discussão se dá em meio ao impasse no PL para indicar quem será o candidato da sigla para concorrer ao Senado no lugar de Castro. Desde que o ex-governador renunciou à disputa, em maio, o partido ainda não escolheu o novo postulante. Hoje há dois cotados para a vaga: o senador Carlos Portinho e o deputado federal Carlos Jordy. Como mostrou o Valor, a tendência é que Flávio segure a escolha do postulante ao Senado pelo Rio até a convenção do partido, prevista para 25 de julho, para manter a vaga aberta para ele próprio, no caso de sua empreitada ao Planalto ficar inviabilizada pelas sucessivas crises que o senador vem enfrentando A defesa de Canella informou, em nota, que a prisão do ex-prefeito não se sustentava, “uma vez que a arma encontrada seu veículo era legalizada e registrada em nome de seu segurança”. Segundo os advogados, toda a documentação foi apresentada ao STF.
Mesmo solto pelo STF, Canella deve ficar fora da disputa ao Senado
Ex-prefeito de Belford Roxo terá que cumprir medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e ter o porte de arma suspenso












