A pesquisa Meio/Ideia sobre a eleição trouxe um recorte revelador. Quem é a mulher mais poderosa do Brasil hoje? Sem indução de nomes, Michelle Bolsonaro aparece em primeiro lugar com 15,4% das menções, sem nunca disputar uma eleição. Em segundo, com 9% vem a primeira-dama Janja da Silva. As duas mulheres mais poderosas do país chegaram ao pódio pelo casamento. Ou seja, por aqui, a via de acesso ao topo do poder feminino ainda depende de um registro em cartório que vincula as eleitas a seus respectivos maridos.
O dado mais melancólico nem é esse. Dos entrevistados, 43,5% não souberam citar nome algum, e outros 5,5% disseram "nenhuma". O mesmo cidadão listaria dez homens influentes sem respirar. Em nossa cultura política, o poder tem um rosto padrão e esse padrão é masculino.
A lista de ausências é eloquente. Dilma Rousseff surge com tímidos 2,5%. Era uma pergunta sobre memória, não admiração. Uma mulher presidiu o país por quase seis anos e quase ninguém se lembra disso quando o assunto é poder. Cármen Lúcia, ministra do STF, presença frequente no debate público, amarga 4,5% das lembranças. Taciana Medeiros, primeira presidente do Banco do Brasil em 215 anos, marca apenas 1,2% e perde para Virgínia Fonseca, com 1,5%. No imaginário coletivo, a influência digital bate a institucional. Reconhecemos na mulher apenas o poder de vender colágeno e bet. Triste.













