A declaração foi dada a jornalistas em São Paulo antes de Haddad participar do podcast "Derrubando Muros". O petista afirmou ter ficado "perplexo" com as falas do adversário político e defendeu que as divergências sejam tratadas no campo das ideias. "Acho que todo mundo que ouviu [as críticas] ficou um pouco perplexo com uma agressão gratuita a duas mulheres, ex-senadoras, que têm serviços prestados. Não precisa concordar com pauta ambiental, da educação, as duas grandes bandeiras da Marina e da Simone, mas tem que respeitar e fazer o debate de ideias. Então [avaliei] com perplexidade", disse Haddad. A fala ocorre dois dias após Tarcísio afirmar que Marina Silva e Simone Tebet "não começaram a fazer política em São Paulo" e que as duas "levaram cartão vermelho" nos estados onde construíram suas trajetórias políticas. Ana Flor e Otávio Guedes analisam embate entre Tarcísio, Simone Tebet e Marina em SP As falas foram feitas durante um evento ao lado do deputado federal Guilherme Derrite (PP), também candidato ao Senado. Carioca torcedor do Flamengo, o próprio Tarcísio não tinha ligação com a política paulista antes de ser indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para concorrer ao governo do estado, em 2022. Após a declaração do governador, as duas pré-candidatas reagiram. Marina afirmou que São Paulo "acolhe pessoas de todo o Brasil e do mundo" e relembrou que foi tratada no Hospital das Clínicas quando enfrentou problemas de saúde ainda jovem. A legislação brasileira não exige que um candidato tenha construído sua carreira política no estado onde pretende disputar uma eleição. Para concorrer a um cargo eletivo, a Constituição Federal e a Lei Eleitoral determinam, entre outros requisitos, que o político tenha domicílio eleitoral na circunscrição em que pretende concorrer pelo menos seis meses antes do pleito (leia abaixo). O que diz a lei? As ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). — Foto: Montagem/g1/Reprodução/Agência Brasil O local de nascimento não é um critério para disputar eleições no Brasil. A Constituição Federal e a legislação exigem que o candidato cumpra as chamadas “condições de elegibilidade”, que são elas: nacionalidade brasileira; pleno exercício dos direitos políticos; alistamento eleitoral; domicílio eleitoral na circunscrição onde pretende disputar a eleição, pelo prazo exigido em lei (seis meses antes da eleição); filiação partidária no prazo legal; idade mínima para o cargo. Carioca eleito em SP, Tarcísio critica Tebet e Marina Silva por não serem do estado No caso de eleições estaduais, como a de governador, o candidato precisa ter domicílio eleitoral no estado onde pretende concorrer, mas não precisa ter nascido nesse estado. Por isso, é juridicamente possível, por exemplo, uma pessoa nascida no Rio de Janeiro disputar o governo de São Paulo, o Senado ou qualquer outro cargo. Foi o que aconteceu com o próprio governador Tarcísio de Freitas, que nasceu no Rio de Janeiro e viveu desde a adolescência em Brasília, mas em 2022 mudou o domicílio eleitoral para a cidade de São José dos Campos e pôde concorrer e se eleger para o Palácio dos Bandeirantes. LEIA MAIS: Família Bolsonaro Os membros da família Bolsonaro – Eduardo e Carlos Bolsonaro – aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). — Foto: Reprodução/Redes Sociais Apesar de o pai de Eduardo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ter nascido em Glicério, no interior paulista, a família construiu sua carreira política no Rio de Janeiro. Outro exemplo de aliados do bolsonarismo é da deputada federal Rosângela Wolff Moro. Natural de Curitiba, ela mudou o domicílio eleitoral para São Paulo, com a intenção de candidatar em 2022 representando os paulistas e acabou eleita. A esposa do juiz Sérgio Moro - eleito senador pelo Paraná naquele mesmo ano - também enfrentou um processo movido pelo PT por causa da mudança no domicílio eleitoral, mas a ação acabou arquivada no TRE-SP. Rosângela Moro, esposa do ex-juiz Sérgio Moro, pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos. — Foto: Divulgação Tiririca, Erundina, Pitta e Jânio Quadros A capital paulista, por exemplo, já teve dois prefeitos que não nasceram na cidade: Luiza Erundina e Celso Pitta. Erundina, atualmente no PSOL, nasceu na Paraíba, mas construiu carreira em São Paulo como assistente social, até ser eleita prefeita em 1989 pelo PT. Desde então, é eleita sucessivamente como deputada federal pelo estado, há sete mandatos seguidos. Os deputados federais Luiza Erundina (PSOL) e Tiririca (PSD), e o ex-prefeito de SP, Celso Pitta. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais Já Celso Pitta se mudou para São Paulo em março de 1987, vindo do Rio de Janeiro, onde nasceu. O engenheiro se transferiu para a capital paulista após aceitar o convite para assumir o cargo de diretor financeiro da Eucatex, a empresa pertencente à família do também ex-prefeito Paulo Maluf (PP). Pitta, que morreu em 2009, foi escolhido sucessor de Maluf na eleição de 1996 e tornou-se prefeito da cidade sem nenhuma experiência anterior na política. O mandato dele na cidade foi marcado por polêmicas e escândalos. Outro ex-prefeito da capital que não era da cidade foi Jânio Quadros. Ele era nascido em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e veio para São Paulo para estudar Direito na Faculdade do Largo São Francisco, até tornar-se Presidente da República. Foi prefeito da capital paulista por duas vezes e governador do estado, antes também foi deputado federal pelo Paraná. Fernando Henrique Cardoso e Lula panfletam durante a campanha de 1986, quando FHC concorreu ao Senado por SP e venceu. — Foto: Reprodução/Instituto FHC Outro caso é o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Nascido no Rio de Janeiro, ele se mudou para São Paulo aos 8 anos. Aqui, estudou sociologia e economia na Universidade de São Paulo (USP), foi professor e ingressou na carreira política. Na capital paulista, ele foi candidato a prefeito de São Paulo em 1985 pelo antigo PMDB, mas acabou derrotado por Jânio Quadros (PTB) em uma eleição acirrada, com diferença de menos de 1% dos votos. Após a derrota, ele se candidatou e foi eleito senador constituinte entre 1987 e 1988, participando da confecção da Carta Magna brasileira, promulgada por Ulisses Guimarães naquele ano e que segue em vigor. A campanha ao Senado de FHC teve apoio do então ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e rendeu fotos históricas dos dois fazendo panfletagem juntos, no ABC paulista e na capital. Ambos se tornariam adversários políticos e presidentes da República nas décadas seguintes. Fernando Henrique Cardoso e Lula durante a campanha de 1986, quando FHC concorreu ao Senado por SP e venceu. — Foto: Reprodução/Instituto FHC
Haddad chama críticas de Tarcísio a Marina e Tebet de 'agressão gratuita a duas mulheres' | G1
Pré-candidato ao governo de São Paulo afirmou que ficou 'perplexo' com declarações do governador contra as duas pré-candidatas ao Senado, e disse que divergências políticas não justificam ataques pessoais.











