Desembargador Claudio de Mello Tavares faz alerta a partidos e cobra cautela nos registros O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que a corte terá como prioridade para as eleições deste ano impedir que pessoas ligadas ao crime organizado sejam candidatas. A declaração foi dada nesta sexta-feira (10) em reunião com advogados e dirigentes estaduais dos partidos. Em discurso feito aos representantes das agremiações, Tavares afirmou que os partidos são o primeiro filtro para evitar que envolvidos com o tráfico, milícias ou crime organizado participem do pleito. “Cabe aos senhores [advogados e dirigentes partidários] depurar e avaliar com cautela os nomes submetidos às convenções dos partidos. Ou seja, os senhores têm uma grande responsabilidade: Antes de homologar o nome de um candidato nas convenções, verificar se esse candidato tem algum envolvimento com o tráfico da milícia”, afirmou o presidente do TRE-RJ. O pano de fundo da fala é investigações recentes que indicaram a ligação de deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) com a criminalidade. Em menos de um ano, três parlamentares foram presos pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o crime organizado: TH Joias (Sem partido), Rodrigo Bacellar (União) e Thiago Rangel (Avante). No mês passado, outro deputado, Val Ceasa (PRD), foi alvo de busca e apreensão também por suposta ligação com uma facção criminosa. Os quatro negam as acusações. Antes da reunião com os representantes do partidos, o presidente do TRE-RJ afirmou a jornalistas que a própria corte vai fazer um monitoramento das candidaturas que forem registradas. “Nós não podemos, de forma alguma, deixar uma pessoa, um candidato, que é ligado ao tráfico de milícias, ocupar uma cadeira no Legislativo ou no Executivo”, disse Tavares. “Tendo em vista a situação que nós estamos vivendo, caótica, do crime se alastrando no Rio de Janeiro, com as pessoas apavoradas, o TRE está agindo com rigor. O que significa isso? Havendo indícios que esse candidato está envolvido com a milícia e com o narcotráfico, nós vamos indeferir as candidaturas.” O desembargador explicou que “indícios robustos” já serão suficientes para indeferir a candidatura de uma pessoa que possa ter ligação com o crime organizado, sem que seja necessário que ela tenha anotação criminal. Para isso, o TRE-RJ contará com um trabalho preventivo das forças policiais e de inteligência para indicar qualquer envolvimento suspeito que o candidato tiver. “Infelizmente tem candidatos que estão envolvidos com tráfico ou com a milícia, mas que estão com a certidão limpa. Não tem nenhuma anotação criminal. Agora, recentemente, houve casos assim. Deputados que foram descobertos, que já estavam há um tempo ligados à milícia. Por que o TRE não indeferiu a candidatura? Porque não havia nenhuma certidão dizendo que eles estavam envolvidos”, disse Tavares. “Mas a polícia está trabalhando com inteligência, ou seja, está fazendo um trabalho preventivo. Então, trazendo elementos robustos, concretos, que o candidato está ligado à facção, ele terá sua candidatura indeferida”, completou. Presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares — Foto: Divulgação/TRE-RJ