Um atalho para conhecer um pouco da arquiteta e urbanista Helene Afanasieff é visitar o perfil que manteve no Facebook. A rede social foi diário e repositório de reflexões por anos, com dicas de filmes e livros, desenhos autorais de aves e plantas, críticas políticas e histórias de família.

"Já que não dá para fazer planos, nem de curto, óbvio, nem de médio e nem de longo prazo –já que a idade é um fator significativo para os planos... resolvi desejar coisas", compartilhou em abril de 2020, durante a pandemia. Na postagem, escreveu sobre comprar um tamanco de madeira e ter casa na praia. "Sonhar e desejar faz parte da nossa consciência saudável (não sei se Freud aprovaria)", dizia.

Também estão ali pensamentos sobre São Paulo, cidade cujas ruas ela percorreu quase diariamente por anos —especialmente do apartamento, em Higienópolis, ao escritório no edifício do IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil) na Vila Buarque, região central.

Muitos amigos e admiradores falam dessas caminhadas junto do marido, o renomado arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha, que morreu há cinco anos.

Por cerca de 50 anos, os dois formaram um dos mais ilustres casais de São Paulo. Ela teve uma trajetória múltipla: cofundadora da Escola da Cidade, editora de livros, servidora pública com atuação pela habitação social e designer de joias; ele, autor de obra mundialmente reconhecida e premiada.