Minha relação com Jerry Gogosian começou logo após a criação da conta no Instagram. Eu era um dos grandes entusiastas do humor da artista, que partia da premissa de que o mundo da arte se levava a sério demais.
Hilde Lynn Helphenstein, criadora do perfil, havia trabalhado na galeria Gagosian, em Nova York, e decidiu fazer a conta por volta de 2018, misturando o nome de seu fundador, Larry Gagosian, com o do crítico de arte Jerry Saltz.
Seus memes ácidos criticavam as hierarquias do sistema de arte, a forma como galerias lidavam com seus clientes e, principalmente, criavam personagens memoráveis, como as galerinas que se entupiam de champanhe e barbitúricos enquanto circulavam pelo eixo Londres–Hong Kong–Nova York–Paris.
Comecei a trocar mensagens com a influenciadora sem saber quem ela era. Fazíamos piadas e ríamos juntos. Até que, em determinado momento, decidi propor a ela a criação de uma série baseada no mundo da arte e a apresentei a um produtor de cinema.
Foi a primeira vez que veio a São Paulo. Passou uma semana na cidade, em plena pandemia, participando de reuniões com produtores e concedendo uma entrevista a este jornal. Naquele momento, sua identidade ainda era um segredo. A entrevista, realizada em meu apartamento, aconteceu depois que todos os envolvidos assinaram acordos de confidencialidade.











