Regulador quer que grupo remova recursos das redes sociais como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos. Decisão final ainda depende de julgamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Empresas de redes sociais estão sofrendo pressão crescente de órgãos reguladores em todo o mundo para proteger as crianças — Foto: Brent Lewin/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 10:20 UE acusa Meta de design viciante e exige mudanças no Instagram e Facebook A União Europeia acusa a Meta de usar design viciante no Instagram e Facebook, violando a lei digital do bloco. A UE recomenda que a empresa elimine recursos como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos. A Meta poderá enfrentar multas de até 6% da receita global se não fizer ajustes. A decisão final dependerá de julgamento, enquanto a Meta contesta as alegações, destacando medidas já adotadas para proteger adolescentes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A União Europeia (UE) recomendou que a Meta faça mudanças significativas no design do Instagram e do Facebook para tornar as plataformas menos viciantes. O órgão regulador do bloco afirmou que as duas redes sociais violam as novas regras da UE sobre conteúdo e que recursos como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos devem ser eliminados. As autoridades também determinaram que a gigante de tecnologia implemente novos intervalos para controle do tempo de tela e ajuste seu algoritmo de recomendações para torná-lo menos orientado ao engajamento. As recomendações e determinações se baseiam em conclusões preliminares divulgadas nesta sexta-feira, pela Comissão Europeia, o braço executivo da UE, composta por 27 países. Se confirmadas, poderá ser aplicada multa sobre a Meta de até 6% da receita global do grupo. A comissão disse acreditar que a Meta não avaliou nem mitigou adequadamente os riscos decorrentes de recursos de design viciantes, que podem afetar o bem-estar físico e mental dos usuários, especialmente das crianças. Ainda segundo a comissão, as atuais ferramentas de gerenciamento do tempo de uso da Meta, inclusive aquelas destinadas aos adolescentes, "podem ser facilmente ignoradas e não levam a uma redução significativa nem a um controle efetivo do uso do serviço", ao mesmo tempo que os controles parentais exige conhecimento técnico, tempo e esforço para serem utilizados de forma eficaz. As conclusões preliminares intensificam a investigação contra a Meta iniciada em maio de 2024 com base na Lei de Serviços Digitais (Digital Services Act, o DSA). O que diz a Meta O alerta surge em meio a uma crescente reação global contra as gigantes da tecnologia e os efeitos sociais das grandes plataformas on-line. A Meta agora terá a oportunidade de responder às alegações antes que seja emitida uma decisão final. Ben Walters, porta-voz da Meta, afirmou que a empresa discorda das conclusões, que, segundo ele, “não levam em consideração de forma adequada as medidas significativas que adotamos para proteger os adolescentes”. Ele destacou que a companhia criou contas específicas para adolescentes, que permitem aos pais bloquear o acesso ao Instagram durante a noite e estabelecer limites diários para o tempo de uso. A decisão anunciada nesta sexta-feira representa um esforço incomumente direto para obrigar uma empresa a promover mudanças específicas no design de seus produtos. Trata-se do mais recente sinal da postura firme adotada pelos reguladores europeus para enfrentar as empresas de redes sociais, acusadas de empregar estratégias deliberadamente manipuladoras para manter os usuários — especialmente crianças e adolescentes — constantemente conectados. Alerta ao TikTok A Comissão Europeia já havia emitido um alerta semelhante ao TikTok em fevereiro, devido aos recursos de design considerados viciantes. Essa investigação ainda está em andamento. Em abril, o órgão também advertiu a Meta por não impedir que crianças menores de 13 anos utilizassem o Instagram e o Facebook. Em março, a Meta foi considerada responsável em um caso histórico na Justiça dos Estados Unidos, que concluiu que suas plataformas, como o Instagram, foram projetadas para criar dependência em crianças. Ao mesmo tempo, um número crescente de países já proibiu o acesso de menores de 16 anos às redes sociais ou está avançando nessa direção. A Comissão Europeia também está avaliando regras que poderão proibir crianças de acessar redes sociais devido às características viciantes desses aplicativos, seguindo o exemplo da Austrália. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá apresentar, na segunda-feira, os resultados de um painel de especialistas sobre a segurança infantil no ambiente digital, enquanto mais países europeus pressionam Bruxelas a adotar algum tipo de proibição do uso de redes sociais por menores de idade.