Palanque no Estado é alvo de divergências entre pré-candidato e ex-primeira-dama e expõe divisão do clã Bolsonaro Flávio: “Estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente” — Foto: Iano Andrade /CNI - 22/06/2026 O senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), retornou ao Brasil na quinta-feira (9), depois de viagem aos Estados Unidos, e deve embarcar para o Ceará nesta sexta-feira (10), para cumprir agenda pré-eleitoral. As costuras no Estado foram o motivo da briga de Flávio com Michelle Bolsonaro - que discorda das alianças construídas pelo diretório estadual do partido e da composição com Ciro Gomes (PSDB). Ao chegar no Brasil, Flávio disse estar “aberto para conversar” com Michelle, mas pressionou por apoio e disse que é preciso ter união na disputa contra o presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque tenho certeza de que a Michelle pensa igual a mim”, disse Flávio no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, ao voltar dos Estados Unidos, onde participou de audiência pública sobre o tarifaço no Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês), na terça-feira (7). O comando nacional do PL tenta reaproximar Flávio e Michelle antes da convenção nacional do partido, marcada para dia 25, quando o senador deverá ser oficializado como candidato à Presidência. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, deu um recado à família Bolsonaro e disse que, se não houver entendimento entre eles, a legenda perderá as eleições. Os desentendimentos dentro da família Bolsonaro tornaram-se públicos e se agravaram depois da divulgação de um vídeo gravado por Michelle com críticas diretas a Flávio, no fim de junho. A ex-primeira-dama disse ter sido “maltratada e humilhada” pelo enteado: “Ele disse que seria melhor se eu ficasse fora das decisões do partido, que eu havia chegado ontem que não entendia nada de política”. Em Fortaleza, Flávio participará nesta sexta do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado. A ex-primeira-dama era contra a indicação e trabalhava para que a vereadora Priscila Costa (PL), que é vice-presidente do PL Mulher, fosse a candidata ao Senado. Michelle também defendia a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Estado. A falta de acordo com o PL e Flávio culminou na saída de Michelle da presidência do PL Mulher e escalou a briga no clã Bolsonaro. O evento reunirá os pré-candidatos do PL do Ceará à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. O PL no Ceará constrói a aliança com Ciro Gomes, que irá concorrer ao governo estadual contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT). Essa aliança inclui PSDB, PL e a federação União-PP. Para a vaga de vice-governador na chapa, o nome mais citado é o de Roberto Cláudio (União), ex-prefeito de Fortaleza. Para a segunda vaga ao Senado é cotado Capitão Wagner (União). O presidente estadual do PL no Ceará, deputado André Fernandes, disse que o Estado é estratégico para a campanha nacional. “Em 2022, conseguimos aumentar proporcionalmente a votação de Jair Bolsonaro em relação a 2018. Foi o Estado com maior crescimento proporcional da votação de Bolsonaro, e agora o nosso trabalho é ampliar ainda mais esse resultado. Acho que esse é o motivo de ele vir diretamente ao Ceará”, disse. Segundo Fernandes, os desentendimentos entre Flávio e Michelle não afetaram as costuras estaduais. “No Ceará isso não existe. O clima é de paz e de unidade. Não há discordância. Tudo o que fizemos teve o aval de todos, por unanimidade, entre os pré-candidatos, a direção estadual do PL e os mandatários. Aqui nunca houve qualquer imbróglio”, disse. A disputa entre Flávio e Michelle sobre as costuras no Ceará teve início em dezembro, quando a ex-primeira-dama classificou como “precipitada” a aliança com Ciro Gomes. Ela foi rebatida por André Fernandes, que afirmou ter recebido o aval de Bolsonaro e do presidente nacional do PL para negociar a aliança. À época, Flávio declarou que Michelle “atropelou” o próprio Bolsonaro, que havia autorizado o movimento de André Fernandes no Ceará, e classificou a forma como ela se dirigiu ao presidente estadual do PL - a quem se referiu como “a maior liderança local” - de “autoritária” e “constrangedora”. O mal-estar com Michelle levou quadros expressivos do partido a sugerirem que ela fosse mais cautelosa ao tratar dos arranjos estaduais. Após a ex-primeira-dama ter deixado a presidência do PL Mulher neste mês, no entanto, correligionários trabalham por uma reconciliação, por entenderem a importância política dela na campanha de Flávio. A vereadora Priscila Costa, pivô da briga no Ceará, defendeu a reconciliação. “Não vou alimentar nenhum tipo de conflito. Tanto a Michelle como o Flávio são pessoas que lutam pela mesma causa que eu. O nosso papel nesse momento é construir uma ponte. Porque essa tempestade vai passar”, disse, em redes sociais.