PUBLICIDADE Em primeira agenda desde o retorno dos Estados Unidos, senador deve evitar citar a ex-primeira-dama, concentrar discurso em segurança pública e críticas ao PT e fazer acenos ao eleitorado feminino 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo/16/05/2026 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 21:40 Flávio Bolsonaro Foca em Segurança Pública e Evita Crise com Michelle em Visita ao Ceará Flávio Bolsonaro, em sua primeira agenda política após retornar dos EUA, visita o Ceará com a recomendação de evitar abordar a crise com Michelle Bolsonaro. Ele deve focar em segurança pública e críticas ao PT, buscando atrair o eleitorado feminino. A vereadora Priscila Costa, pivô da crise, foi encarregada de mobilizar mulheres para o evento, tentando mostrar que a ruptura com Michelle não afetou a base política. Michelle, embora inicialmente esperada, provavelmente não comparecerá para evitar mais desgaste. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca nesta sexta-feira no Ceará para sua primeira agenda política após retornar dos Estados Unidos, orientado por aliados a não fazer referências públicas à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A avaliação do entorno do senador é que o episódio deve permanecer como uma página virada, enquanto ele concentra o discurso em temas considerados prioritários para a pré-campanha, como segurança pública, críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente no Nordeste, e propostas voltadas ao eleitorado feminino. A agenda marca o retorno de Flávio justamente ao estado onde teve início o racha com Michelle. O senador participa, em Fortaleza, do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), ao Senado. O evento reunirá ainda os pré-candidatos do partido à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa do Ceará. Mais do que lançar oficialmente as candidaturas do partido, o ato passou a ser tratado pela campanha como um teste para medir se o PL conseguirá virar a página da crise aberta entre Flávio e Michelle justamente no estado onde ela começou. A orientação transmitida ao senador é evitar qualquer comentário sobre o conflito e reforçar a imagem de unidade da legenda. Interlocutores afirmam que Flávio encarregou a vereadora Priscila Costa (PL-CE), pivô da crise, de coordenar a mobilização feminina para o evento. Segundo relatos feitos ao GLOBO, ela ficou responsável por organizar a participação das mulheres no ato, gesto interpretado por aliados como uma tentativa de demonstrar que o rompimento com Michelle não contaminou toda a rede política construída pela ex-primeira-dama. O gesto também busca reduzir um desgaste simbólico. Foi justamente a candidatura de Priscila ao Senado que desencadeou o rompimento público entre Michelle e Flávio. A ex-primeira-dama defendia que a vereadora fosse a candidata do PL à vaga, enquanto o senador conduziu as negociações que resultaram no apoio do partido à pré-candidatura de Alcides Fernandes, como parte do acordo firmado com o PSDB do ex-governador Ciro Gomes no estado. Apesar da tentativa de pacificação, o impasse político que deu origem à crise continua sem solução. Priscila mantém a pré-candidatura ao Senado e seus aliados defendem que o PL preserve seu nome na disputa até o prazo final para registro das candidaturas. O grupo argumenta que o acordo costurado no ano passado previa duas candidaturas do partido ao Senado e resiste à decisão de abrir uma das vagas para acomodar a aliança com o PSDB. A palavra final caberá ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Em contrapartida, aliados de Flávio afirmam que ela deve concorrer à Câmara dos Deputados. Michelle não deve ir ao Ceará A indefinição também alcançou o evento desta sexta-feira. Inicialmente, a expectativa era que Michelle e Flávio dividissem o mesmo palanque no lançamento das candidaturas do partido no Ceará. Depois do rompimento, porém, a presença da ex-primeira-dama passou a ser considerada improvável. Até esta quinta-feira, interlocutores afirmavam que ela ainda não havia cancelado oficialmente a agenda, mas reconheciam que a tendência era de ausência para evitar novos desgastes. A divergência extrapolou o Ceará depois que Michelle publicou um vídeo acusando o grupo político de André Fernandes de trabalhar para retirar Priscila da disputa e questionou por que a vaga não havia sido cedida pelo próprio pai do deputado. Na mesma gravação, afirmou ter sido humilhada e desrespeitada por Flávio. Dias depois, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, aprofundando a crise entre os dois. Desde então, aliados do senador passaram a trabalhar para reduzir o desgaste provocado pelo episódio e reconstruir pontes com parte das lideranças femininas ligadas à ex-primeira-dama. Embora seja considerada uma das principais aliadas de Michelle e ocupe a vice-presidência nacional do PL Mulher, Priscila tem adotado um discurso de pacificação. Na semana passada, publicou um vídeo afirmando que não iria “alimentar qualquer tipo de conflito” e defendeu a união do campo conservador. — Quem luta pela mesma causa, mesmo que em algum momento possa machucar ou se ferir, não pode ficar enfraquecido no meio do caminho enquanto o verdadeiro inimigo se fortalece. Agora precisamos unir forças — afirmou. Na mesma manifestação, a vereadora elogiou Michelle e a liderança exercida por ela à frente do PL Mulher, mas ressaltou que Flávio tem a responsabilidade de conduzir “esse momento da nação de reconstruir o Brasil”. A postura já havia ficado evidente dias antes, quando Priscila participou da reunião promovida por Flávio com parlamentares e lideranças femininas em Brasília, mesmo após Michelle recusar o convite para comparecer ao encontro. No evento, a vereadora afirmou que o governo Jair Bolsonaro deixou um legado na defesa das mulheres e declarou que Flávio daria continuidade a esse trabalho.