Nada como o fotojornalismo para eternizar o instante raro. Esta semana rodou mundo uma imagem feita pelo fotógrafo Cheney Orr, da agência Reuters. Foi capturada no último sábado, 4 de julho, data do aniversário de 250 anos da independência americana.
Num vagão de metrô em Washington vê-se uma mulher negra em um dos assentos, cercada por um grupo de supremacistas, homens brancos com rostos cobertos por lenços igualmente brancos. O olhar tenso da passageira diz tudo. Não foi a viagem que ela imaginou fazer.
A imagem remete a uma cena, que de fato nunca chegou a ser fotografada. Aconteceu em primeiro de dezembro de 1955: Rosa Parks, uma mulher negra de 42 anos, depois de dar duro o dia inteiro como costureira de uma loja, pegou num ônibus em Montgomery, no Alabama, voltando para casa. Sentou-se num lugar destinado aos de sua raça, ou seja, na parte posterior do veículo.
O motorista ordenou que ela se levantasse para acomodar um homem branco, seguindo as normas de uma segregação socialmente aceita e protegida. Aquele dia Rosa se recusou a dar o lugar. Foi retirada do ônibus, fichada, multada, presa e assim entrou para a história.
Lá Fora












