Banco quer evitar riscos relacionados ao uso de informação privilegiada, especialmente para profissionais do setor financeiro, que frequentemente têm acesso a informações ainda não divulgadas ao mercado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 David Solomon, CEO do Goldman Sachs — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 16:50 Goldman Sachs proíbe funcionários de mercados de previsão financeira e política O Goldman Sachs proibiu funcionários de participarem de mercados de previsão relacionados a finanças e política, para evitar o uso de informações privilegiadas. A restrição não se aplica a apostas esportivas e de entretenimento. A política rigorosa visa mitigar riscos enquanto o banco explora oportunidades comerciais nesses mercados emergentes, considerados promissores pelo CEO David Solomon. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Goldman Sachs proibiu seus funcionários de negociar em mercados de previsão, com exceção de apostas esportivas e de entretenimento, em uma das medidas mais contundentes adotadas por um banco de Wall Street diante das novas questões regulatórias levantadas pelo crescimento das apostas em eventos. O banco, sediado em Nova York, atualizou recentemente sua política de negociações pessoais para proibir operações com contratos de eventos relacionados a empresas específicas — incluindo o próprio Goldman Sachs —, resultados eleitorais ou o desempenho de qualquer mercado financeiro, segundo um documento visto pela Bloomberg News. O Goldman informou que violações repetidas da política podem resultar em demissão ou no encerramento da conta do funcionário. Em casos de negociações consideradas inadequadas, o banco também pode exigir que o empregado devolva lucros superiores a US$ 200 ou os doe para instituições de caridade. Um porta-voz do Goldman não comentou. Plataformas de mercados de previsão, como Kalshi e Polymarket, tiveram uma explosão de popularidade no último ano, oferecendo contratos financeiros que se assemelham a produtos tradicionais de apostas. Embora o tema mais popular para negociação seja o esporte, essas plataformas também permitem apostar em tudo, desde eleições até resultados corporativos. Isso rapidamente criou novos riscos relacionados ao uso de informação privilegiada (insider trading), especialmente para profissionais do setor financeiro, que frequentemente têm acesso a informações ainda não divulgadas ao mercado. As políticas de compliance representam um equilíbrio delicado para os bancos, que não querem afastar empresas de mercados de previsão, as quais podem se tornar, no futuro, plataformas de negociação mais maduras e clientes lucrativos para serviços de assessoria em captação de recursos e ofertas públicas. A abordagem do Goldman parece ser mais restritiva do que a adotada pelo rival JPMorgan, que, segundo uma reportagem da Barron’s, orientou seus funcionários no início deste ano a “pensarem cuidadosamente” antes de participar de mercados relacionados ao setor financeiro. Enquanto isso, alguns fundos de hedge foram ainda mais longe do que o Goldman. A Point72 Asset Management e a Balyasny Asset Management impuseram uma proibição total para que seus funcionários utilizem mercados de previsão em contas pessoais. A política do Goldman impede negociações em perguntas como se o banco anunciará uma reestruturação em determinado trimestre ou se adquirirá uma empresa específica. A restrição também se estende a contratos que possam gerar conflitos de interesse entre a instituição e seus clientes. “Você deve estar atento para garantir que sua participação não viole leis e regulamentos e que não gere aparência de conduta imprópria”, afirma a política. Outros contratos de eventos explicitamente proibidos incluem apostas sobre a data de cessar-fogos em conflitos, o preço do Bitcoin e o resultado de processos regulatórios de aprovação de fusões. Por outro lado, a política deixa claro que apostas em questões como “O Time X vencerá o campeonato?” são permitidas. Assim como muitas empresas de Wall Street, o banco ainda pretende aproveitar as oportunidades de negócios ligadas aos mercados de previsão. Em janeiro, o CEO David Solomon afirmou que essas plataformas são “extremamente interessantes” e revelou ter se reunido com os dirigentes das duas maiores empresas do setor. Algumas grandes instituições financeiras, incluindo Jump Trading e Susquehanna International Group, já informaram que atuam como formadoras de mercado (market makers) nessas novas plataformas de negociação.