Primeiro reitor eleito pelo voto direto da comunidade universitária, João Carlos Salles assume o comando da Universidade Federal da Bahia calejado por um histórico de defesa do ensino superior. Ex-presidente da Andifes, que reúne os dirigentes das instituições do setor, Salles reclama do “cerco” orçamentário e refuta os ataques do bolsonarismo ao conhecimento e à ciência. “O investimento nas universidades coincide com a afirmação de um projeto de nação verdadeiramente democrática”, afirma.

CartaCapital: A UFBA foi a primeira universidade federal no Brasil a fazer eleições diretas. Qual a importância dessa iniciativa?João Carlos Salles: Quis o acaso que a UFBA fosse a primeira a experimentar um processo eleitoral pleno, pelo qual se afirma e se protege a autonomia da universidade pública. Antes, tínhamos um processo informal de consulta que terminava por gerar uma lista tríplice. A vontade da comunidade universitária ficava dependente ainda do respeito do governante, vontade que, diga-se, sempre foi protegida nos governos de Lula e Dilma, mas foi desrespeitada cerca de 20 vezes no período de Jair Bolsonaro. Agora, a consulta se torna eleição direta, com o encaminhamento de um único nome. Em suma, é uma vitória da democracia e da autonomia universitária. No caso da UFBA, uma das mais importantes universidades brasileiras, a verdade das urnas foi clara, o que só aumenta a nossa responsabilidade em momento tão desafiador.