Quando um jogador comemora seu gol na Copa do Mundo fazendo o “Passinho do Jamal”, poucos conhecem a origem daquela coreografia inusitada. Ainda assim, o gesto se espalhou entre torcedores mundo afora: um passo para um lado, outro para o outro, mais três de volta, os braços acompanhando as pernas, tudo embalado por uma dose cavalar de humor. Parece apenas uma brincadeira, mas aqueles movimentos carregam uma história – e uma geografia peculiar. Nasceram muito antes de chegar aos gramados, no Campo do Onze, em Santo Amaro, um pedaço da periferia do Recife onde a música costuma aparecer antes das oportunidades.
Foi ali que Romero Júnior, o Jamal da Capital, descobriu que o corpo também podia comunicar e cativar multidões. Criado em meio às privações que marcam a vida de tantas crianças das periferias brasileiras, encontrou na dança uma linguagem própria muito antes de o mundo aprender a ler seus passos.
O Passinho do Jamal nasceu da própria alegria do seu criador. Não por acaso, a coreografia conquistou o coração de tantas crianças. Antes da fama, ele limpava para-brisas nos semáforos, entregava garrafões de água em condomínios e carregava cimento como ajudante de pedreiro. Nunca imaginou que, um dia, sua criação artística cruzaria oceanos e faria torcedores de diferentes países falarem a mesma língua sem precisar dizer uma palavra.







