Renovação urbana projeta ainda moradias e revitalização da região do Sambódromo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O prefeito Eduardo Cavaliere — Foto: Jéssica Marques/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 13:44 Revitalização da Praça Onze: Lei Sancionada pelo Prefeito do Rio O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, sancionou a lei do projeto Praça Onze Maravilha, que visa a renovação urbana na região da Praça Onze e do Sambódromo, incluindo a demolição do Elevado 31 de Março e construção de novas moradias. O projeto, que envolve investimento de R$ 1,7 bilhão, busca revitalizar a área sem desapropriações, mas gera preocupação entre moradores sobre possíveis impactos e falta de informações claras. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, sancionou, nesta quinta-feira, a lei que autoriza a implantação do projeto Praça Onze Maravilha, um amplo plano de renovação urbana para a região da Praça Onze e do entorno do Sambódromo. A cerimônia foi realizada no Arquivo da Cidade, com a presença de moradores, vereadores e representantes da prefeitura. O projeto abrange uma área de 458 mil metros quadrados e prevê investimentos estimados em R$ 1,7 bilhão por meio de uma parceria público-privada. Entre as principais intervenções estão a demolição do Elevado 31 de Março, a criação do Boulevard do Samba e da Biblioteca dos Saberes, a requalificação do Sambódromo, a construção de moradias, a integração viária da região e a revitalização da Vila Operária, na Rua Salvador de Sá. A proposta também prevê retrofit de imóveis ociosos, a criação de mais de 37 mil unidades habitacionais, a proibição de aluguel por curta temporada em imóveis de habitação de interesse social e a geração de mais de 25 mil empregos. Segundo a prefeitura, o projeto não prevê desapropriações e pretende atrair investimentos privados para a região. A proposta recebeu 180 emendas durante a tramitação na Câmara de Vereadores, das quais 60 foram incorporadas ao texto sancionado. Ao defender o projeto, Cavaliere afirmou que a Praça Onze reúne um dos piores indicadores de progresso social da cidade e que os moradores vivem em condições precárias. — Os poucos moradores que vivem na Praça Onze, muitos deles vivem em condições degradantes, alguns em condições sub-humanas. Essa realidade ficou invisibilizada durante muito tempo. A gente está pisando numa terra sagrada do Brasil, num lugar único da nossa história — afirmou. O prefeito destacou ainda o valor histórico e cultural do bairro, lembrando que a Praça Onze foi um dos locais mais importantes da formação da identidade carioca. Segundo ele, a região foi ocupada inicialmente por ciganos e, posteriormente, por população negra, imigrantes europeus, árabes — conhecidos na época como "turcos" —, além de judeus asquenazes e sefaraditas, tornando-se, em sua avaliação, o lugar mais cosmopolita da história do Brasil. Cavaliere também lembrou que a Cidade Nova começou a se desenvolver após a chegada da família real portuguesa ao Rio, em 1810, e classificou a região como o berço da cultura popular brasileira. Características arquitetônicas únicas Ao citar a Vila Operária, o prefeito afirmou que o conjunto possui características arquitetônicas únicas no país, reunindo elementos orientais, europeus e africanos, mas ressaltou que os moradores vivem em condições muito ruins. Segundo ele, a proposta tem como prioridade melhorar a qualidade de vida da população local. — Eu vou cuidar dos vizinhos. Muitos deles me conhecem pelo nome, antes mesmo de eu entrar na política. O DNA do Praça Onze Maravilha é olhar especialmente para essas famílias e trazer prosperidade para essa região — disse. Desafio O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, explicou que a modelagem financeira do projeto prevê utilizar os recursos obtidos com terrenos públicos que serão liberados após a derrubada do Elevado 31 de Março. — Essa operação financeira passa pela identificação dos imóveis públicos que serão gerados com a derrubada do viaduto para que a gente possa usar os recursos obtidos com esses terrenos para realizar os investimentos. O grande desafio é fazer isso sem onerar os cofres públicos — afirmou. Fundo imobiliário público Segundo Cavaliere, cerca de 60 imóveis também integrarão um fundo imobiliário público, criado para dar suporte à estruturação da parceria público-privada. O fundo poderá receber também imóveis privados e servirá como garantia para viabilizar financeiramente as intervenções. O prefeito destacou ainda que uma das emendas aprovadas pelos vereadores estabelece prioridade para moradores da região nas vagas de emprego que serão abertas durante as obras e posteriormente na operação dos novos equipamentos urbanos. Questionado sobre o cronograma, Cavaliere afirmou que a prefeitura pretende, até o fim do mandato, iniciar a construção da Biblioteca dos Saberes e executar as intervenções necessárias para preparar a implosão do Elevado 31 de Março. Segundo ele, as datas definitivas das obras serão detalhadas após a publicação dos editais da PPP. Moradores se preocupam Apesar das garantias dadas pela prefeitura de que não haverá desapropriações, moradores demonstraram preocupação com os impactos das intervenções. Morador da Praça Onze há 65 anos, Renato Pinto de Amorim afirmou que a principal apreensão da população é a situação de 324 imóveis classificados como alienados, que poderão ser vendidos ou leiloados. — A maior preocupação dos moradores é o fantasma da desapropriação. São famílias que vivem aqui há décadas e não têm condição financeira de comprar outro imóvel. A prefeitura fala em revitalizar a Vila Operária, mas também deveria pensar na recuperação dessas casas. O medo é perder o lugar onde sempre viveram — disse. Segundo Renato, moradores participaram de reuniões e debates sobre o projeto, mas ainda existem dúvidas sobre possíveis alterações no traçado das ruas e nos imóveis da região. Carlos Eduardo da Silva Alcântara, morador da Praça Onze há 52 anos, também afirmou que a falta de informações oficiais tem gerado insegurança entre os moradores. — O que mais precisamos hoje é de informação correta. Cada hora chega uma informação diferente dizendo que uma rua vai acabar, que um prédio vai ser derrubado. O morador está impaciente porque ninguém sabe exatamente como vai funcionar. Tem gente de 80 anos desesperada sem uma informação oficial — afirmou. Ele acrescentou que muitos moradores enfrentam dificuldades para regularizar seus imóveis e que existem ruas onde sequer há cobrança de IPTU, aumentando a insegurança sobre o futuro da região. — Se tiver que tirar algum morador, que ele seja levado para um lugar digno. Mas hoje ninguém sabe exatamente o que vai acontecer porque falta informação oficial — concluiu.