A jogadora Marta, camisa 10, segue nos planos da comissão técnica para 2027 e pode disputar sua última Copa no Brasil — Foto: Rafael Ribeiro/CBF Com orçamento previsto de US$ 800 milhões, segundo a federação internacional de futebol (Fifa) oito cidades-sede e 14 seleções já classificadas, a Copa do Mundo Feminina de 2027, a ser disputada no Brasil, já começa a ganhar peso na agenda esportiva. O torneio, que será realizado de 24 de junho a 25 de julho, passou a registrar alta nas buscas feitas na internet após a eliminação do Brasil pela Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, no domingo (5). De acordo com dados do Google Trends, as buscas por “Copa do Mundo Feminina 2027” cresceram 350% no Brasil no recorte de 30 dias - entre 8 de junho e 7 de julho (às 15h). Na comparação diária, o volume de pesquisas pelo termo registrado no domingo (5) foi 70% maior que o de sábado (4). Em outro recorte, entre domingo (5) e terça-feira (7) de julho, a ferramenta classificou o termo como “aumento repentino” - indicador técnico acionado quando a alta nas buscas é igual ou superior a 5.000%. A Copa Feminina de 2027 será a primeira realizada na América do Sul e a décima edição do torneio. Serão 32 seleções, 64 partidas e jogos em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A partida de abertura está marcada para 24 de junho. Até agora, 14 das 32 vagas já foram preenchidas. Além do Brasil, classificado como país-sede, estão garantidas as seleções de Argentina, Austrália, China, Colômbia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, Filipinas, França, Alemanha, Japão e Nova Zelândia. A Fifa informou que o sorteio final das partidas ocorrerá ainda neste ano. A competição chega ao Brasil em um momento em que a Fifa tenta ampliar o valor comercial do futebol feminino. A edição de 2023, disputada na Austrália e na Nova Zelândia, teve quase 2 milhões de torcedores nos estádios e alcançou mais de 2 bilhões de pessoas pela TV, plataformas digitais e redes sociais, segundo a entidade. A partir de 2031, a Copa Feminina será ampliada de 32 para 48 seleções. Na frente comercial, a Copa de 2027 conta com ao menos 14 marcas confirmadas pela Fifa. Na cota de patrocinadores aparecem a Lay’s, marca de salgadinhos da PepsiCo; a chinesa Mengniu; e a Unilever, por meio das marcas de produtos de higiene pessoal Dove e Rexona. Entre os apoiadores estão Airbnb, DoorDash, Globant, Valvoline e Verizon, com direitos regionais ou vinculados a mercados específicos. A competição também se apoia no portfólio de parceiros globais da Fifa, que inclui Aramco, Adidas, Coca-Cola, Hyundai /Kia, Lenovo e Qatar Airways. Em relação à transmissão, Globo e CazéTV serão as plataformas oficiais da competição no Brasil. A TV Globo exibirá 56 partidas na TV aberta, enquanto o Sportv terá todos os 64 jogos na TV paga. A CazéTV transmitirá a íntegra do torneio em plataformas digitais. Dentro de campo, o Brasil será comandado por Arthur Elias, técnico da seleção feminina desde 2023 e campeão pelo Corinthians. A jogadora Marta, aos 40 anos, segue nos planos da comissão técnica e pode disputar no país sua última Copa do Mundo. A seleção busca um título inédito; sua melhor campanha foi o vice-campeonato de 2007, na China, quando perdeu a final para a Alemanha. O crescente interesse pela Copa do Mundo Feminina de 2027 já está no radar das marcas. Entre os patrocinadores oficiais do evento, a fabricante de bebidas Coca-Cola e sua marca de isotônicos Powerade estão preparando ativações para assim que o torneio masculino terminar. “Nosso objetivo é manter viva a energia do futebol no Brasil e ajudar a construir o legado da Copa do Mundo Feminina por meio do impacto social, do fortalecimento do futebol feminino e da ampliação de oportunidades para mulheres”, disse o vice-presidente de marketing da Coca-Cola Brasil, Júlio Lopez, ao Valor. Depois da Copa do Mundo masculina e dos Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo feminina é o terceiro maior evento esportivo em audiência do mundo, destaca a Coca-Cola. “No Brasil, embora o futebol masculino ainda concentre maior popularidade, é evidente a expansão do interesse pela modalidade feminina, com um público cada vez maior acompanhando as competições e comparecendo aos estádios, reforçando a relevância desse momento para o esporte”, diz Lopez. (Colaborou Daniela Braun)