Pen drive falsificado tem capacidade de memória inferior ao anunciado — Foto: Reprodução: Nikkei Asia Cerca de 20% dos pen drives recomendados nas buscas da Amazon têm avaliações que apontam capacidade de armazenamento adulterada. O dado é de uma investigação do "Nikkei Asia", que acende o alerta para os riscos de comprar de vendedores mal avaliados. A apuração começou após a descoberta de que a Força de Autodefesa Terrestre do Japão utilizou dispositivos infectados por um vírus associado à China. Documentos internos das forças militares já alertavam que aparelhos com armazenamento falso eram vendidos em massa na internet. Além do risco de perda de dados, esses produtos podem conter malware, ameaçando o comprador mesmo que o item seja devolvido. Dispositivos de marcas chinesas raramente chegam às grandes lojas físicas. Na internet, a Amazon virou o principal canal de escoamento. No Japão, por exemplo, grandes lojistas do marketplace Rakuten Ichiba compravam os produtos na própria Amazon para revendê-los. O levantamento considerou 200 produtos recomendados na busca por "memória USB" nas versões japonesa e americana da Amazon no fim de junho. Os relatos de capacidade falsa atingiram quase 40% dos itens no site dos EUA e pouco menos de 10% no Japão. Os anúncios patrocinados foram desconsiderados para evitar distorções. O cenário geral permaneceu idêntico ao de uma checagem anterior, feita em abril. Para testar as denúncias, a reportagem comprou na Amazon cinco pen drives de marcas chinesas pela metade do preço convencional. A AI Data, empresa japonesa de recuperação de dados, analisou os componentes e confirmou: todos entregavam menos espaço do que o anunciado. Um consumidor japonês na faixa dos 40 anos comprou um desses modelos baratos em novembro. Ao notar que o espaço acabou rápido demais, descobriu que o dispositivo tinha apenas um quarto da capacidade prometida. Ele foi reembolsado, mas protestou: "É inacreditável que a Amazon simplesmente venda produtos falsos". As 220 avaliações negativas encontradas não pouparam grifes conhecidas. Dispositivos da japonesa Kioxia Holdings e da própria linha Amazon Basics traziam relatos de clientes que pagaram pelo item original, mas receberam uma cópia. A Kioxia confirmou que tem conhecimento de falsificações no mercado e orienta os consumidores a redobrarem o cuidado. Essa distorção é alimentada pela própria dinâmica da Amazon, que agrupa diferentes vendedores de um mesmo item na mesma página. Como o sistema prioriza quem oferece o menor preço, golpistas ganham destaque e enviam réplicas no lugar do produto autêntico. Resta ao comprador tentar se proteger checando o nome do vendedor em letras miúdas na lateral da tela. "Muitos vendedores abusam desse sistema. Eles surfam na reputação de marcas legítimas para desovar pirataria", explica Takayuki Tsutsumi, secretário-geral da Union des Fabricants Tokyo, entidade de defesa da propriedade intelectual. Embora a Amazon afirme que monitora os lojistas por meio de históricos de transações e videochamadas, a fiscalização dificilmente consegue cobrir o volume massivo de cadastros na plataforma. O vendedor do pen drive que espalhou malware nas forças armadas japonesas operava sob um nome em chinês fonético e exibia apenas um número de telefone da China como contato. O Nikkei Asia tentou contato com os responsáveis por uma das lojas que vendiam produtos falsos; houve um retorno inicial, mas as mensagens foram interrompidas. "Até produtos que exigem homologação prévia são falsificados na Amazon dentro da página oficial do item verdadeiro", aponta o advogado japonês Takaaki Someya, especialista em direito do consumidor. "Precisamos de regras que exijam uma auditoria muito mais rígida sobre esses vendedores." Questionada sobre as fraudes e os critérios de seleção de lojistas, a Amazon Japão declarou que "a segurança dos clientes e a autenticidade dos produtos são prioridades máximas" e que está investigando o caso para tomar as providências cabíveis.
Investigação aponta fraude em 20% dos pen drives recomendados pela Amazon
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