Criticar a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) é quase um sacrilégio. É uma instituição pública cuja imagem é tão positiva que tende a bloquear a atenção para problemas que, internamente, são conhecidos e discutidos, mas que, externamente, permanecem invisíveis.
A empresa ajudou a construir a agricultura tropical moderna, tem uma importância singular na história da agropecuária brasileira, desenvolveu pesquisadores, que deram novos rumos ao setor, e colocou o país no centro do mundo quando se trata de fornecimento de alimentos.
Essas apreciações são de um grupo de pesquisadores, que, com base em documentos internos, entrevistas e relatórios já feitos pela própria empresa ou encomendados pelo governo federal, detecta sinais de preocupação, tensões administrativas, dificuldades operacionais e desafios estratégicos que se tornaram visíveis para quem convive com a empresa no cotidiano.
O legado é extraordinário, mas o risco atual é elevado, afirmam pesquisadores em um relatório do INCT/PPED (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento), como resultado de um projeto da Sest (Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais), chamado de "Embrapa entre o legado, o futuro e as transformações necessárias". O estudo envolveu o trabalho de sete pesquisadores, coordenados por Ana Célia Castro e Antônio Márcio Buainain.







