Com a nova ferramenta, startup quer expandir participação no mercado nacional e projeta faturamento de R$ 90 milhões em 2026 Adrian Ferguson, cofundador da HYPR, diz que a plataforma já está sendo utilizada por clientes como Pepsico, BRF, L'Oréal e Unilever — Foto: Divulgação Com modelo de negócios que usa estruturas de dados e geolocalização para desenvolver campanhas de publicidade personalizadas, a startup HYPR planeja expandir sua participação de mercado com uma nova plataforma desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A ferramenta combina a análise de notas fiscais de compras de consumidores no varejo com geolocalização, dados proprietários e estatísticas públicas. O objetivo é mensurar o impacto real da mídia digital no comportamento do cliente em lojas físicas. Com faturamento de R$ 70 milhões em 2025, a HYPR projeta receita de R$ 90 milhões em 2026. A nova plataforma foi estruturada a partir de uma base de dados composta por cerca de 250 milhões de notas fiscais de consumidores do varejo. O funcionamento é rigorosamente matemático, diz Adrian Ferguson, cofundador da HYPR. Em parceria com pesquisadores da Unicamp, a empresa criou um modelo estatístico para determinar a relevância necessária por ponto de venda. Por meio de inteligência artificial, a ferramenta lê os 44 números da chave de acesso das notas fiscais e identifica o que foi vendido. Durante o desenvolvimento da tecnologia, em 2024, Ferguson descobriu a Varejo 360, uma empresa que já operava com a coleta de cupons fiscais em larga escala por meio de sistemas de restituição de valores, conhecidos como cashback, e benefícios para o consumidor. Antes dessa conexão, a equipe da HYPR tinha tentando fotografar manualmente notas fiscais depositadas em urnas de supermercados para tentar ler os SKUs (itens vendidos). “Um processo que não tinha como dar certo, por ser manual e ineficiente”, diz Ferguson. Para ultrapassar esse desafio, a HYPR firmou uma parceria com a Varejo 360. As empresas desenvolveram uma conexão por meio de APIs Interface de Programação de Aplicações). A partir dessa dinâmica, a HYPR começou a ler e processar milhões de cupons fiscais de forma automatizada. O resultado para o anunciante, segundo o executivo, é o incremento real de vendas gerado pela mídia digital no mundo físico. Ferguson diz que a plataforma já está sendo utilizada por clientes como Pepsico, BRF, L'Oréal e Unilever. "O que a gente faz? Eu secciono 150 lojas e vejo qual é o ‘share’ da marca. Nas lojas onde essa marca não está performando, impacto todos os devices que estão entrando ali com publicidade. Depois de 15 dias, comparo o impacto daquela audiência no consumo real versus as outras lojas em que não ativei", explica Ferguson. Hoje a HYPR opera com um time de 34 especialistas, focado exclusivamente em grandes contas que sofrem com a dispersão de recursos de anúncios em plataformas. Atualmente, a companhia trabalha com uma base de 250 das maiores marcas do país. Ao longo de seus seis anos de operação, a empresa já executou mais de sete mil projetos para marcas como Natura, O Boticário, L'Oréal, Santander, Itaú, Samsung, Unilever, Ambev, Diageo, Kraft Heinz, Pepsico, BRF e Bauducco. Ferguson diz que a operação da HYPR está baseada em três pilares fundamentais. O primeiro é a auditoria por terceiros, baseada em análises de plataformas internacionais, como a Integral Ad Science (IAS), para validar cliques e visibilidade. "A gente resolveu lançar uma plataforma que é auditada por terceiros para auferir a qualidade do que entregamos”, explica Ferguson. O segundo ponto é a conformidade com a privacidade do usuário e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Ferguson observa que todos os dados são anonimizados e baseados em comportamento físico e metadados, sem identificar o usuário individualmente. O negócio também foca na recorrência e no sucesso sustentável do cliente.
HYPR, de marketing digital, cria com Unicamp plataforma baseada em IA e análise de 250 milhões de notas fiscais
Com a nova ferramenta, startup quer expandir participação no mercado nacional e projeta faturamento de R$ 90 milhões em 2026






