Alta do petróleo beneficia divisas de países exportadores líquidos da commodity, como o real Dólar fecha perto da estabilidade após sessão volátil com aumento das tensões entre EUA e Irã — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O dólar comercial terminou o pregão desta quarta-feira praticamente estável, depois de oscilar bastante ao longo do dia. A moeda teve dificuldade de firmar uma direção, à medida que os investidores pesavam a aversão a risco por conta do recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, mas também colocavam na conta uma eventual melhora dos termos de troca do Brasil diante do salto dos preços do petróleo, fator que beneficiou outras divisas de países que são exportadores líquidos da commodity. Encerrados os negócios no mercado à vista, o dólar comercial oscilou -0,07%, a R$ 5,1485, após ter tocado a máxima intradiária de R$ 5,1843 e a mínima de R$ 5,1363. O euro comercial também ficou perto da estabilidade (+0,03%), em R$ 5,8830. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que na prática suspenderam o acordo de cessar-fogo e voltaram a trocar agressões de natureza militar, gerou uma aversão a risco nos mercados globais. Durante parte da sessão, o real seguiu esse movimento, ainda que em magnitude menor na comparação com outras moedas de países emergentes. Entre as moedas pares do real, o dólar anotava alta de 0,24% contra o peso mexicano no fim da tarde; subia 0,52% ante o rand sul-africano; e avançava 0,18% contra o peso colombiano. Ainda que a maioria das divisas emergentes tenha sofrido com o mau humor dos investidores ao redor do mundo, o real e outras moedas de países que são exportadores líquidos de petróleo (isto é, vendem mais do que compram a commodity) se beneficiaram do salto dos preços do barril, que chegou a ser de mais de 7% hoje, levando a cotação do óleo de volta a níveis superiores aos do período anterior ao início da guerra no Oriente Médio. Na prática, o aumento dos preços do petróleo gera uma melhora nos termos de troca de países como o Brasil, Canadá e Noruega. Neste contexto, o dólar cedia 0,26% ante o dólar canadense e depreciava 0,47% contra a coroa norueguesa no fim da tarde. Para além das questões que envolvem a balança comercial, a própria força global do dólar arrefeceu ao longo do pregão, à medida que o petróleo se afastou das máximas intradiárias, amenizando, assim, a aversão por risco dos investidores globais. A perspectiva de um dólar mais fortalecido, porém, não se limita às tensões geopolíticas. Conforme notam economistas do BTG Pactual, em relatório, outro fator que pode pesar sobre o câmbio doméstico nos próximos meses é a postura mais conservadora do Federal Reserve (Fed) e a possibilidade de aumento dos juros básicos americanos este ano. A ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), publicada hoje, revelou que parte do comitê já enxergava argumentos que justificavam uma alta dos Fed funds há três semanas, quando ocorreu o último encontro do colegiado. Para o BTG Pactual, o Fed parece adotar uma postura mais conservadora e preocupada com a persecução da meta de inflação de 2% sob o comando de seu novo presidente, Kevin Warsh. Diante disso, o banco aumentou a sua projeção para o dólar ao fim deste ano, de R$ 4,90 para R$ 5,40. “A comunicação passou a refletir um Comitê significativamente mais preocupado com a persistência da inflação, deslocando o foco do debate para quais condições macroeconômicas seriam suficientes para justificar o início da reversão dos ‘insurance cuts’ (cortes de juros preventivos) implementados em 2025”, diz o relatório do BTG ao apontar para a mudança na função de reação do Fed sob o comando do seu novo presidente, Kevin Warsh. Este quadro de dólar forte em meio às discussões sobre possíveis altas de juros nos Estados Unidos “eleva o retorno relativo dos ativos em dólar e reduz o suporte global a moedas de carry, como o real”, segundo o banco. “Assim, a revisão para R$ 5,40 reflete sobretudo a incorporação de um cenário de dólar global mais forte do que assumíamos anteriormente.”
Dólar fecha perto da estabilidade após sessão volátil com aumento das tensões entre EUA e Irã
Alta do petróleo beneficia divisas de países exportadores líquidos da commodity, como o real









