O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em setembro teve alta de 5,20% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para agosto subiu 4,37% Os contratos futuros do petróleo dispararam nesta quarta-feira (8), diante da nova escalada de tensões no Oriente Médio. Após ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, o presidente americano, Donald Trump, lançou uma ofensiva militar contra o Irã ontem à noite e disse que o cessar-fogo “acabou”, sem intenção de retomar as negociações. Ele também realizou novas ameaças e afirmou que os Estados Unidos poderiam restabelecer o bloqueio aos portos iranianos, elevando os riscos de uma ampla retomada do conflito. No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em setembro teve alta de 5,20%, cotado a US$ 78,02 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para agosto subiu 4,37%, a US$ 73,52 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Trump disse nesta quarta-feira que o memorando de entendimento firmado com o Irã para encerrar o conflito acabou e que não pretende manter as negociações, o que fez os preços do petróleo a dispararem novamente. Ele também ameaçou realizar novos ataques, após as forças americanas atingirem dezenas de alvos no território iranianos ontem, e afirmou que poderá restabelecer um bloqueio aos portos iranianos. "Nós os atingimos com muita força na noite passada", disse Trump nesta quarta-feira. "Provavelmente vamos atingi-los com força novamente esta noite." As declarações do presidente americano e os novos ataques acenderam um temor entre os investidores de que o frágil cessar-fogo firmado entre ambos os países no mês passado possa acabar antes da conclusão das negociações para um acordo de paz duradouro. Ontem, os Estados Unidos haviam revogado uma autorização que permitia ao Irã vender petróleo no mercado internacional, em resposta a ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz que teriam sido realizadas por Teerã. Em resposta, um assessor do líder supremo iraniano publicou na rede social X que haverá uma "resposta imediata" aos ataques americanos, aumentando as apostas de uma nova escalada. Segundo a emissora estatal iraniana PressTV, o Irã deve fechar o Estreito de Ormuz caso sofra novos ataques. Trump também disse durante o pregão que "fará algumas coisas que podem aumentar os preços do petróleo". O Brent chegou a superar os US$ 80 por barril nas máximas do dia, registrando uma variação intradiária superior a 8%. Hamad Hussain, economista da Capital Economics, avalia que a recente escalada de tensões reforça sua visão de que os preços do petróleo permanecerão voláteis nos próximos meses. No entanto, ele espera que algum tipo de cessar-fogo acabe prevalecendo e os fluxos de exportação continuem se recuperando na região, levando o Brent a encerrar 2026 perto dos níveis atuais de preço. Para ele, no momento, os maiores riscos são a possibilidade do Irã restringir ainda mais o tráfego pelo Estreito de Ormuz ou os Estados Unidos restabelecerem seu bloqueio naval aos portos iranianos, o que poderia comprometer a recuperação da produção e exportação de petróleo na região. "Vale ressaltar que, mesmo que essa nova escalada das tensões perca força e algo semelhante ao atual memorando de entendimento permaneça em vigor, a trajetória dos preços do petróleo nos próximos seis meses deverá ser irregular", ele afirma em nota. "Isso ocorre, em parte, porque a recente alta dos fluxos de petróleo reflete a saída dos petroleiros carregados que ficaram retidos durante meses no Estreito de Ormuz; para manter o atual ritmo de exportações, será necessário que novos carregamentos aumentem." Funcionários de plataforma de petróleo da Petronas, estatal petroleira da Malásia — Foto: Facebook/@petronas