Todos os anos, mais de 400 mil peregrinos percorrem o Caminho de Santiago, na região espanhola da Galícia, atravessando colinas enevoadas e densas áreas de floresta. Mas grande parte da mata que cerca a rota de peregrinação espanhola já não é nativa.
Em vez de carvalhos e castanheiros típicos da região, amplas áreas do noroeste da Espanha passaram a ser dominadas por eucaliptos.
Essa transformação não é exclusiva da Galícia. Valorizadas pelas indústrias de celulose e madeira por seu rápido crescimento e alta rentabilidade, vastas monoculturas da árvore originária da Austrália foram implantadas em lugares como Brasil, Chile, Califórnia, Índia e África do Sul.
Globalmente, as plantações de eucalipto já cobrem 22 milhões de hectares em mais de 90 países e, em muitas regiões, tornaram-se um dos pilares das economias rurais. Mas, sob copas aparentemente tranquilas, escondem-se paisagens vulneráveis a incêndios florestais extremos, já que a espécie é altamente inflamável e chegou a ser apelidada por ativistas de "árvore de gasolina".
Nos últimos anos, incêndios devastadores potencializados por monoculturas de eucalipto foram registrados em lugares distantes, como o Chile em 2017 e 2023, Portugal em 2017 e 2024 e os estados americanos do Havaí em 2023 e Califórnia em 1991.














