Ofensiva russa ocorreu em um momento no qual Moscou explora a escassez crítica de interceptadores americanos na Ucrânia Nesta foto fornecida pelo Serviço de Emergência da Ucrânia, equipes de emergência trabalham para extinguir um incêndio após um ataque aéreo russo em Kiev, Ucrânia, na quarta-feira, 8 de julho de 2026 — Foto: Serviço de Emergência da Ucrânia via AP A Rússia disparou mísseis balísticos contra Kiev durante a noite e enviou drones movidos a jato sobre a capital da Ucrânia ao longo desta quarta-feira, matando pelo menos três pessoas, disseram autoridades. Os ataques, que ocorreram pela terceira vez nesta semana, foram realizados em um momento no qual Moscou explora a escassez crítica de interceptadores americanos no território ucraniano. Uma das ondas de drones lançadas pela Rússia atingiu um edifício de 25 andares no início da tarde, informou o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, no Telegram. Além das três mortes, 13 pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas nos ataques, duas delas em estado grave, acrescentou Klitschko. Explosões sacudiram a capital ucraniana durante a madrugada, pouco antes de o alerta de ataque aéreo soar, relataram testemunhas da Reuters. Dois depósitos pegaram fogo após os ataques, e bombeiros combateram as chamas com plataformas elevatórias até a manhã desta quarta-feira. Embora as defesas aéreas ucranianas tenham interceptado 139 dos 169 drones lançados durante os ataques noturnos contra o país, elas novamente não conseguiram derrubar nenhum dos cinco mísseis balísticos utilizados pela Rússia, mostraram dados da força aérea. Em um encontro com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, nesta quarta-feira durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos concederão uma licença à Ucrânia para mísseis Patriot e disse que tanto Moscou quanto Kiev querem ver a guerra encerrada. "Vamos conceder uma licença para vocês produzirem Patriots. Isso é muito legal. Assim, vocês não poderão reclamar que não estamos fornecendo o suficiente", disse Trump na ocasião. A Rússia tem intensificado sua campanha aérea contra a Ucrânia nos últimos meses, enquanto seus avanços terrestres praticamente estagnaram e os ataques ucranianos contra a logística militar e a indústria petrolífera russas provocaram uma ampla escassez de combustível. Somente em julho, ataques russos contra Kiev e sua região metropolitana mataram 60 pessoas. Segundo dados da força aérea, as defesas antiaéreas derrubaram apenas quatro dos 54 mísseis balísticos disparados pela Rússia neste mês. Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, também foi alvo de ataques com mísseis durante a noite, disseram autoridades locais, que relataram danos a casas e a uma igreja. Um funcionário caminha entre os escombros no local de armazéns de alimentos e bebidas atingidos por um ataque de mísseis russos durante a noite, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em Kiev , Ucrânia, em 8 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko Zelensky vinha pedindo repetidamente os interceptadores fabricados nos Estados Unidos — a única arma do arsenal ucraniano capaz de derrubar mísseis balísticos, cuja alta velocidade e trajetória íngreme dificultam a interceptação. Trump, que conversou com Zelensky e com o presidente russo, Vladimir Putin, antes da cúpula da Otan, já havia afirmado na terça-feira acreditar que a guerra poderá ser "resolvida, espero que em breve". Putin afirmou que pretende prosseguir com a guerra apesar das crescentes dificuldades enfrentadas pela Rússia. Moscou exige que Kiev ceda o restante da região oriental de Donetsk, que não conseguiu conquistar em mais de quatro anos de combates. Na Rússia, ataques de drones ucranianos durante a noite mataram uma pessoa e danificaram diversas instalações industriais, disseram autoridades locais.