Talvez o maior medo para um romancista do porte de Haruki Murakami, dono de uma obra tão vasta e singular, seja o risco de se repetir e se tornar uma caricatura. Seu novo romance, "A Cidade e Suas Muralhas Incertas", põe o leitor diante dessa questão.
Trata-se da reafirmação de uma identidade autoral, uma elegante variação dos temas que marcaram sua obra? Ou de uma insistência nas características que "deram certo" em outros momentos, sinal do esgotamento de uma forma e de uma visão de mundo?
No livro, Murakami encara esse risco e investe na repetição como método. O romance parte de uma novela publicada em 1980, depois renegada pelo autor, e lança um olhar retrospectivo sobre sua própria obra.
O que havia naquela história, escrita há mais de 40 anos, que ainda se sustenta? O que permanece, para o próprio Murakami, como uma imagem incontornável? O que acontece quando um escritor já consagrado retorna a uma narrativa de juventude não apenas para corrigi-la, mas para descobrir o que continuou a acompanhá-lo?
Murakami volta, assim, às cidades muradas, às bibliotecas, aos homens sem nome, às mulheres desaparecidas, aos fantasmas, aos Beatles, aos animais enigmáticos e às passagens entre mundos.











