Segundo militares ucranianos, métodos russos para proteger combustível e outros suprimentos também inclui esconder carregamentos em veículos civis Militares da companhia Sparta do 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados 'Luftwaffe' das Forças Armadas da Ucrânia preparam um drone Zozulia para um voo enquanto trabalham em uma posição próxima à linha de frente, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em um local não divulgado no sul da Ucrânia, em uma data não divulgada, 2026 — Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko Forças da Rússia estão tentando neutralizar os ataques da Ucrânia com drones de médio alcance camuflando cargas militares e instalando potentes sistemas de interferência eletrônica para interromper o funcionamento do sistema de internet via satélite Starlink, de Elon Musk, disseram comandantes e pilotos de drones ucranianos à Reuters. O desenvolvimento, por Kiev, de drones de médio alcance capazes de atingir alvos com precisão e baixo custo a dezenas de quilômetros atrás da linha de frente, frequentemente operados por meio do Starlink, transformou a guerra na Ucrânia. Em uma campanha coordenada neste ano, a Ucrânia atacou linhas de abastecimento, depósitos de combustível, instalações de defesa antiaérea e centros de comando, prejudicando a logística das forças russas e contribuindo para a escassez de combustível na Crimeia ocupada pela Rússia. Mas a Rússia está desenvolvendo diversas formas de tentar neutralizar esses ataques de médio alcance, disseram quatro comandantes e pilotos de drones à equipe da Reuters que visitou o 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia em operação na região de Zaporizhzhia, no sul do país. Segundo eles, os métodos russos para proteger combustível e outros suprimentos militares vão desde esconder carregamentos em veículos civis até utilizar sofisticados equipamentos de guerra eletrônica para bloquear as conexões usadas para pilotar os drones. Esses sistemas de interferência foram instalados pela Rússia perto de cidades e instalações militares, incluindo equipamentos capazes de interromper o funcionamento do Starlink, operado pela SpaceX, de Elon Musk, disseram os militares. A maior parte das missões ucranianas de médio alcance utiliza o Starlink, que permite ao piloto controlar remotamente o drone e era considerado amplamente resistente a interferências. Um militar do 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados 'Luftwaffe' das Forças Armadas da Ucrânia transporta um drone de ataque RAM-2X até um ponto de lançamento enquanto trabalha em uma posição próxima à linha de frente, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em um local não divulgado no sul da Ucrânia, em uma data não divulgada, 2026 — Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko Serhii Beskrestnov, assessor do Ministério da Defesa da Ucrânia, afirmou que a Rússia está empregando um sistema de interferência chamado Volna Kupol Garant, que emite um sinal suficientemente forte para desestabilizar a conexão do Starlink em uma área de cerca de 20 quilômetros quadrados. De acordo com ele, aproximadamente dez desses equipamentos já foram identificados. No entanto, esses sistemas também se tornaram alvos prioritários das equipes ucranianas de drones, interessadas em eliminar qualquer obstáculo às suas operações. O 422º Regimento participou de ataques contra dois desses sistemas, incluindo um que foi atingido poucas horas após ser detectado, em uma operação conjunta com o serviço de segurança SBU, disse Kolesnyk. Um vídeo de um dos ataques mostrou uma grande explosão quando um drone atingiu um local com seis grandes estruturas semelhantes a reboques. "Assim que destruímos essa instalação, nossos drones equipados com Starlink voltaram a voar sem problemas", afirmou um comandante de equipe identificado apenas pelo codinome "Dyryhent". Musk, por sua vez, impediu as forças russas de utilizarem o Starlink para evitar que Moscou recorresse ao sistema em seus próprios ataques com drones. A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem, assim como o Ministério da Defesa da Rússia. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as táticas russas para evitar os ataques. Suprimentos militares em veículos civis Durante a visita da Reuters ao 422º Regimento, soldados ucranianos que operavam em um campo, iluminados apenas pelo fraco brilho vermelho de lanternas de cabeça, instalaram uma ogiva de alto explosivo em um drone de asas fixas. Seu motor a hélice falhou por um instante antes de ganhar força. Lançado por uma catapulta, o drone "Zozulya" ("Cuco") voou em direção ao sudeste, rumo à Crimeia, sob a cobertura da escuridão, tendo como alvo uma base utilizada por operadores russos de drones. Kolesnyk e outros comandantes detalharam algumas das táticas adotadas por Moscou para proteger combustível e outros suprimentos. "Atacamos caminhões-pipa de água, mas eles queimavam porque havia gasolina dentro", disse Kolesnyk. "Também atingimos caminhões pintados como se fossem de leite, mas transportavam diesel." Um militar do 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados 'Luftwaffe' das Forças Armadas da Ucrânia observa um drone de reconhecimento Shark sendo lançado de uma posição próxima à linha de frente, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em um local não divulgado no sul da Ucrânia, em uma data não divulgada de 2026. — Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko Segundo os comandantes ucranianos, as forças russas agora deslocam pequenos comboios de caminhões-tanque escoltados por picapes equipadas com metralhadoras, utilizam estradas secundárias para evitar vigilância e recorrem a veículos civis para transportar suprimentos. O serviço de inteligência militar da Ucrânia informou à Reuters que as forças russas utilizam carros civis de pequeno porte, quadriciclos e motocicletas para transportar combustível, munição e provisões até a linha de frente. Também escondem suprimentos em abrigos camuflados, prédios abandonados e instalações agrícolas, além de utilizar postos de combustíveis civis para armazenar combustível destinado às operações militares, segundo a inteligência ucraniana. Rob Lee, pesquisador sênior do instituto americano Foreign Policy Research Institute, afirmou que os ataques ucranianos de médio alcance talvez sejam o desenvolvimento mais importante no campo de batalha neste ano, mas que Moscou começa a obter algum sucesso em neutralizá-los. "Se eles ampliarem a produção desses sistemas de interferência, poderão dificultar a campanha de ataques de médio alcance", afirmou. Apesar de seu impacto, essa campanha não impediu os ataques russos contra a Ucrânia. A Rússia ainda controla cerca de um quinto do território ucraniano quatro anos após lançar sua invasão em grande escala, e nem todos os ataques ucranianos com drones são bem-sucedidos. Durante a visita da Reuters, quando o 422º Regimento lançou um drone RAM-2X contra um caminhão-tanque de combustível, o ataque errou o alvo, e o drone de vigilância utilizado para acompanhar o veículo foi abatido por um sistema antiaéreo Tor. "Pelo menos agora sabemos onde ele está", disse um dos integrantes da equipe, ao registrar o sistema Tor no sistema digital ucraniano de designação de alvos — deixando um alvo para outro dia.
Rússia tenta bloquear sistemas Starlink de Musk para conter drones da Ucrânia
Segundo militares ucranianos, métodos russos para proteger combustível e outros suprimentos também inclui esconder carregamentos em veículos civis













