Globo ou CazéTV? A pergunta, que virou um clássico nos encontros de famílias para os jogos da Copa, ilustra um lance histórico em 2026. Mais do que uma simples guerra por audiência, essa disputa evidencia uma completa reconfiguração de forças no audiovisual brasileiro. O que está em jogo é a erosão do monopólio das grandes emissoras de TV, edificadas em torno do antigo modelo em que a radiodifusão dependia de concessões concedidas pelo governo.

O imbróglio dos direitos esportivos não é simples, mas o básico já diz muito: a CazéTV comprou os direitos de transmitir todos os 104 jogos da Copa; a Globo, 55. Vale grifar: foi assim que esse fenômeno de audiência se dividiu entre a CazéTV, que é um canal do YouTube com menos de cinco anos, e a Globo, que é... a Globo.

"Essa disputa é marcada pelo fato de que, agora, para um canal de TV existir, não precisa mais de concessão do governo, de uma frequência. Tudo isso virou pó", lembra Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicações e Artes, da USP. "As TVs tinham uma barreira de entrada no mercado; além de concessão, precisavam de alto investimento para transmissão, satélites etc., e, por isso, a concorrência era limitada. Agora um Cazé da vida pode ameaçar uma TV do tamanho da Globo."